domingo, 1 de maio de 2011

O que não sou

Não sou nada
Não quero nada
Não ligue.

O meu não-ser é bem maior,
que o ser prometido.

De tantas identidades,
o corpo se desfez,
esfarelou-se;
tornando assim,
qualquer coisa.

Talvez não seja tão fácil,
O não-ser é ser autero demais.
Ser-não cansa o ser-de- quem se fez.

Sei que não sou,
mas sou o que não sei.
E se isso se isso não sabe,
não foi o que era.

Se certamente não sou,
então, como viver?
Se, porém, sou?
O que ser?

Sem rosto,
sem beijo,
sem sorte.
Muito menos sem cor.

Não-ser ou ser?
Era uma questão...

(Monique Ivelise)