segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sentenciada

Por um dia, fui a princesa dos reino dos arco-íris;
lugar onde todos eram felizes, sem qualquer preocupação,
sem qualquer perigo eminente para os que pensam demais.
Lugar de carinhos visíveis, onde as crianças se alimentavam de sinfonias molhadas,
e despejavam ondas de coloridos e assim saiam amplamente musicados.

Por minutos, era uma meretriz da nação culturalizada;
parada em um poste qualquer, de uma rua qualquer
em qualquer momento.
Rebanhado por médias postagens mediadas, de acordo com a tabela recente.

Caminharam com a verdade, que por muitos desmestificada e totalmente relativizada.
E eu? Fiz de nada para contribuir com a situação,
permaneci isenta das opiniões gerais das ruas e de suas pinturas na parede.
Pinturas sem contornos exatos, perfeitos protótiposda sua inspiração.
Nada fiz para a exata situação que se iniciara.

Chamei os muleques para a tal chamada revolução,
do pequeno povo de cantos abaixados, na frequência maldita fm online.
Por isso, fui sentenciada há 25 anos de prisão, por desacato à uma puta autoridade.
Fui presa com apenas a moeda do corpo, sem direito auxílio advogada.
Nem adiantaria, ninguém acreditaria em meu caso, de amante pervertida.
Ninguém recolheria minhas petálas secas,
ninguém reconhecia algo de saudável em minha pronúncia.

Por séculos, continuei a mesma pelos que me queriam afogada,
sem apelo ao juiz invisível, de um jurí diverso a minha vontade.
Hoje, escrevo essa carta, com a intenção de que ninguém a leia,
e não a faça uma heroína falida e mal tratrada.
Peço ao meu leitor ausente, que propague as notícias falsas e verdadeiros
ao meu desaparecimento de senhora gentil e inescrupolosa.
Apenas uma consideração, faça o favor de ir para o céu dos bobos,
pois o inferno de dante não lhe merece.

(Monique Ivelise)

Chico Buarque - A História de Lily Braun (Carioca Ao Vivo)

domingo, 29 de abril de 2012

O que pensas?


No que você está pensando nesse exato momento?

Onde estão as estrelas?
Para onde foram os sonhos?
Por que as palavras são assassinas?
Por que um ato nunca é bem compreendido?
Por que os estranhos são realmente os verdadeiros amigos?

Por que o céu todos os dias come o arco-íris?

sábado, 28 de abril de 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Jorge Ben Jor - Jorge De Capadócia

Salve Jorge!


Sou a favor das armas de Jorge.
Sob um céu de lanças contra o meu dragão,
que me desvias das rezas lunares.
A favor dos sincréticos,
que me fizeram filha das fortes ferramentas.

Sou ofensiva e aguerrida,
como sua figura propagou.
Irmã sou do divino, da fartura e do amor.
Oh meu pai,
ajudai-me a vencer as forças naturais.

Desconfiei as tuas intenções,
para minha gente,
analfabeta das pequenas palavras de revolução.
Desconfiei as tuas guerras,
da morte do monstro,
que lançam obscenidade
para esse ingênuo povo.

Então, sou vestida com tuas armas
e com teu canto de orixá ferreiro
Oh meu pai: Ogum, as vezes, Jorge.
Salvai-me desta terra,
longe de Ife.
Salvai-me deste mundo,
cada vez mais repressor e conservador.

Oh meu pai:
Provoque-me às ruas rezas,
leve-me a outro caminho,
de escritores impuros.
Salve Jorge!

Encomendas...


Ah pequenino menino,
de tantas querências e de tantos desejos.
Pequeno, de palavras, de muitas palavras.
Alguns muitos galanteios e muitas verdades paradas.

Não tenho tempo pra falar seu nome,
pois não sei ingleis e nem franceis.
Apenas finjo falar uma língua estranha,
que nasceu com minha estatura.

Ah pequenino,
o batidão também faz música.
Talvez incompreendida aos teus ouvidos,
mas o fazem.
Não queira respostas, verdades.
Apenas deseje perturbações,
as mais puras perturbações provocadas, as mais impuras.

Um dia lhe disse,
que não são olhos os importantes,
mas o que fazes deles.
Não é o sorriso e sim para que você o usa,
para quem você sorri.
Cuidado querido...

Pequeno poeta cantante...
Não te contarei meus sonhos,
nunca  lhe contarei.
Ponha-se pelos mesmos caminhos
do romance pré moderno,
feito de personagens invisíveis.
Nem falarei que este traçado de palavras,
foram produtos de uma encomenda, feita a meia luz.
Apenas tragá-las-ei como se fossem apenas minhas
e de não mais, que eu mesma.
Apenas queimarei quaisquer resquícios das pequenas palavras.

Então meu caro amigo,
Ponha-se para dormir
e que amanhã é mais um novo dia.
(Monique Ivelise)

domingo, 22 de abril de 2012

Silêncio mensal

Há uma voz minimizada,
diante os acontecimentos recentes.
Há uma vontade de não mais estranhar
imagens amigas.
Há sonhos que deveriam ser pintados,
mas nunca são.

Era uma história,
que se desfez, devido as configurações
de uma tecitura problemática.
Era uma história de pequenos personagens,
que se desamarraram.
Nada são, mais.

Era uma história de silêncios combinados,
que deixaram de ser confidentes.
Passaram pela mesma rua,
pelo mesmo chão,
sob o mesmo tempo.
Ainda assim, silenciados.

(Monique Ivelise)

sábado, 21 de abril de 2012

RAPadura (Norte Nordeste me Veste)

Placas

 até a luzes sem foram...
o que é resta é uma placa de proibido sonhar.

 

Não é rapaz?

É rapaz, você queria que eu me rendesse aos teus galanteios,
de poeta de porta de buteco.
Você queria que eu fosse pronta para todas as horas,
de teu caprichoso desejo.
Você queria que eu nascesse de outra forma,
para quem sabe contrair algo sério,
não apenas minutos programados, que estão escondidos da maioria.
Você queria que eu nascesse em julho,
em outro país, durante o verão europeu.

É rapaz, você foi o colonizador da minha espécie,
colonizador da minha cor.
Foi você que me chamou a casa grande em dias de vela,
para perpetuar a tua hiprócita virilidade.
E assim, criar a grande massa das terras de ordem e progresso.
Terra de são sem senhor, onde tudo que planta não é servido aos pequenos.
Foi você que me chamou de produto de algumas qualidades,
de ancas grandes, com disposição para guardar todas as mentiras de seu discurso.

É rapaz, você que me libertou segundo as leis atrasadas;
com o próposito de fazer essa mesma terra se adequa aos princícios de igualdade.
Mandou-se por um caminho sem destino,
sem casa, sem dinheiro, sem parente, sem lágrima.
Tirou-me da casa de meus pais e compartilhou-me com seus amigos intelectuais.
Mandou-me por um caminho sem destino,
sem documento, sem imagem, sem cens.

É rapaz, hoje ainda quer me manipular,
segundo a suas máscaras, de bom cristão, que vai todos os domingos à igreja.
Quer que eu deixe minhas vantagens, adquiridas com a idade
para novamente render a bonitas palavras.
Quer que me comova, quando passo pela rua
e você consiga me categorizar, especificando-me como um produto exótico,
de pele não tão escura e olhos não tão claros.
A personagem ideal para teus anúncios,
aquela que é o meio termo, diante as incríveis verdades acabadas de sua boca.
Não é rapaz?

(Monique Ivelise)

domingo, 15 de abril de 2012

Tipos de sujeitos

Fez bem o termo distanciado entre dois sujeitos
um oculto, outro determinado até demais.
Viviam na ordem de sempre,
antes da ação provocada pelo verbo divino e
de um objeto qualquer.
Um oculto e outro determinado até demais.

Até que um dia, meus caros amigos,
por determinância do destino e por
convencimento de outro sujeito, também até demais.
Virou composto e compôs de outras ordens.
Subverteu a canonidade da língua,
se transformou em um curioso estrangeiro,
para aquela que estava oculta.
Que pena!!!
Uma oculta e outro determinado até demais distante.

Por isso, meus caros:
Em dias atuais, aquele sujeito permanece oculto
para aquela relação sintatica.
Tornou-se determinada, após a reforma que foi feita
pelos lados do Brasil.
Continua determinada, até qualquer outro determinado volte
para seu ocultamento.
Era

Um oculto e outra determinada até demais agora.
Caso contrário, volte a gramática,
lá se encontra todos os casos de amor.

(Monique Ivelise)

terça-feira, 10 de abril de 2012

Correção

Não faças trovas para mim.
Nem faças palavras para minha direção
Não inventes mil tonterias sobre meus passos,
sobre minha pele, sobre meu sorriso clichê.
Não sou fonte de idealização,
muita menos daquela coisa que você costuma
chamar de inspiração,
por sinal, totalmente idiota.
Não sou imagens repetidas.
Como se não houvesse outras imagens para usar?
Como se fosse o primeiro a falar desse jeito.
Não sou menina, como aquela que vive a sua vizinhança.
Não sou mulher, como a de teu desejo mercantil
de rede sonora televisa principal.
Não sou ideais, que temas pronunciá-los em via pública.
No entanto, em vias seguras de conforto o esqueçe.
E ainda e não mais importante,
meus olhos não são aquela coisa,
como diz toda pessoa que me vê pela primeira vez.

Saia deste lugar que não pertence.
Saia deste papel já rabiscado, por melhores que ti,
pois estes, não insistem não mesmos lugares.
Saia daí e ponha tua gordura trangênica para trabalhar.
Por que não se faz chuva com um vaso de flor
e sentimentos repetidos.

(Monique Ivelise)

domingo, 8 de abril de 2012

Ato anti-poético

De fortunas a sete mares,
recolhi a calma de deuses que
tomam conta dessas águas.
Recolhi as imagens passadas
de um cavalheiro transparente,
com os atos de minha pessoa:
uma pequena dama de ouros.

Recolhi as sementes do chão,
como os passarinhos,
que pousam sobre os teus ombros,
de moleque independente do século passado.
Recolhi tudo para converter sua falta
em alimento, e assim em veneno.
Veneno de especialista, veneno de vingança,
veneno doce e melado.

Recolhi tua atenção em alguns minutos
neste traçado de letras,
com uma dose de intenção e malícia.
Ao passo do tempo,
fiz bangunça com meus cabelos,
pintei minhas unhas,
salvei o mundo dos poetas.

Agora tu ainda pensas
que isso é poesia.

(Monique Ivelise)

sábado, 7 de abril de 2012

BEZERRA DA SILVA O BOM MALANDRO

Pretas imagens


A preta só se faz por bela em letras de sambas tupiniquins
A preta só se faz o bem quando em carnavais agostinos.
No retrato, para falar de igualdade des-social.

Na hora da fila é passada pra trás,
pois senhoras dessas cores podem esperar.
Na hora da escola, foi repetida pela quinta vez,
por que criança suja não tem comida em casa.
A preta só serve para limpar casa de sinhô,
a preta só serve pra dá cumida pra sinhô branquinho,
a preta só serve pra sentir dor,
a preta só não serve pra falar.
Por que preta não pensa né, sinhôzinho?
Foi o que o sinhô falou, pensou e deitou...
em seus sonhos mais escondidos,
que não podem ser falados a alta voz,
pois vivemos em uma nação livre, que respeita os ditos diferentes.
Pelo menos era que estava rabiscado naquela coisa
chamada de constituição.

Enquanto isso, continua a preta sendo cantada
em belas letras de belos cegos.
Em belas e amargas imagens de pretos caminhos

( Monique Ivelise)