segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Invenção de heróis



Um dia uma criança já deve ter falado que queria ser igual ao Super-Homem, poder voar, salvar vidas, com sua capa vermelha. Ser um herói de quadrinhos, herói de uma nação.
Todos os dia, nossa boca criar novos heróis e mata os vilões. A cada momento, a cada instante, a cada minuto.
Todos os dias aparece na televisão, histórias das mais diferentes, mostrando a descoberta da medicina, ou o que usar no próximo verão, ou mesmo a vaquinha do Seu José que dança a macarena.
Também aparece complexas e maravilhosas operações policiais em comunidades, como é o caso atualmente. Entre fuzis, 12's e estilingues, uma coisa de louco. E também há um discurso poético, M A R A V I L H O S O, por atrás. Eis que surgem os heróis da pátria de bananas.
Eliminando todo o lixo para fora, como deve ser feito todos os dias, sem cerimônias. Aqueles que trouxe a salvação para vida de todos nós, leitor e telespectadores das 21:00.
E agora Cabral? Já resolveu o teu enigma, quando descobriu a Ilha de Vera Cruz?
E a ralé? O que sobrou pra mim poeta? O que se faz com a miséria, com a fome, com o desemprego, com a falta de poesia nas cidades? Já voltamos a ser cartão postal com o SuperMan ao lado?
Temos os nossos heróis e esquecemos a memória, somos felizes, jogamos futebol, logo após sambamos até a madrugada.
Somos o povo feliz e cordial, dos quadrinhos.
Somos a massa exótica, que voa e acredita em Peter Parker.
Vendemos todos os dias as nossas bananas para caveiras de canivetes.
Reproduzimos a diferença social, matamos Jesus Cristo e bebemos em Copacabana, martines e goiabas.
Olha para a favela agora, meus queridos, veja se o teus heróis estão lá, se houve UPP's necessárias (União de Políticas Públicas).
Diga meu herói, você vai abrir a janela e dar as esmolas?

(Monique Ivelise)

Entre raios e perfumes


Se hoje cuspo raios e trovões
Foi por que um dia
comecei a recolher raios de sol,
chuvas ensolaradas.
Plantei pequenas gotas
de lágrimas,
de diversos momentos.

Se despejo tornados,
maremotos e tufões
em teu favor.
Por que um dia,
aprendi a rezar pequenas ondas.
Comecei a manipular
pequenos remédio
sem sabor.

Cozinhei chuvas
sem sal,
sem tempero.
Eis que se fez as tempestades.
Separações e emulsões
de alecrim.
Juntamente com alfazema,
que se converteu em sândalo.

Ao assar as tuas palavras,
destinadas a outras,
aprendi como as fragrâncias
nascem e também,
como se gera os fenômenos naturais.

Ao magicar os ritmos,
me fiz de rogada,
me fiz de pura,
de santa.
E cuspir aquarelas negras.
Ao magicar,
me consumi em cheiros de ralo,
de esgoto, de peixe.
Ao magicar os sonhos,
tornei-me sem conjugação.
Apenas um raro exemplo
de exceção.

(Monique Ivelise)