sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Navidad...

Tempos de recomeços, de continuidades, de palavras doces e também amargas. 


Desejo das mais loucuras poéticas.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Poeminha das 6 da manhã de domingo

Não sonho com profetas.
Não vejo as paredes.
Não contemplo o teu senhor.
Muito menos percorro as tuas romarias.
Não há de fazer os caesares de uma história desacatada.
Não há de fazer novas páginas em função do espírito santificado.

Serão mostrados os discursos dos infiéis,
ao domingo pela tarde.
Farão jornadas até o patamar adorado.
Eis a falsa cerimonial.
Eis a construção secular.

Crede e vê como ele é bom.
Forçai a magnitude de seu ato.
Louvores e glórias ao rei da dança.
Salve os incrédulos.
Salve as ladainhas.
Salve a ignorância.
Salve e amém.

(Monique Ivelise)

domingo, 16 de dezembro de 2012

A figura picaresca

Sem nada.
Nada.
Nada.
Que te faça chorar as lágrimas perdidas.
Voltar ao passado,
ver aquela figura.
Voltar ao destino,
dizer os teus não's.

Sem nada,
nada, 
nada.
Chore pelo hoje.
Faça pelo hoje.
Foda-se.

(Monique Ivelise)

domingo, 18 de novembro de 2012

A construção de rosas

O mundo é apenas um moinho.
Cheio de ventos desvalidos,
cheio de ventos calados.

Formados de rosas do fim do verão,
do calmo perfume roubado.
Assim acabando com os tristes olhares do estranho poeta.

E assim, a sorrir cumpro meu papel
de mocidade perdida.
Em favor de minhas letras,
ainda hei de amar.
Para não me calar em teu lado.

Deixe-me ir, sorrindo para não chorar.
Deixe-me ir, meus olhos já não fazem poesia.
Deixe-me ir, pois o mundo é apenas um moinho.
Preciso andar e procurar o nova velha poesia.
Procurar a alvorada.

(Monique Ivelise)

Cartola e seu Pai - O Mundo é um Moinho

domingo, 11 de novembro de 2012

Capítulo apagado

Foi uma grande violação,
as tuas costas ardidas
pela digna prostituição de tuas lágrimas,
da tua metida fraqueza;
que chora alegrias
sem saber que era promoção,
a mais alta promoção.

Calei minhas esperanças.
Hoje sou um descaso social,
sem sorte.
Peço por misérias,
por responsabilidades.
Calei-me e peço por abusos.

Já fui a puta, devido minha pele.
Hoje vivo, a cuja responsabilidade de um tráfico.
Hoje sou uma qualquer,
em desequilíbrio constante;
Sou uma qualquer.
Vou virar para rua
e reconhecer um novo
jeito de viver.

(Monique Ivelise)

domingo, 28 de outubro de 2012

Coleção de ventania

Serão preciso ainda mais algumas pétalas,
para alguém se arrisque viver.
Um sonho, para tornar-se em perdão.
Uma nota, em uma canção.

Serão precisa mais lágrimas,
para contornar a minha mensagem
ou quem sabe um novo alvorecer

(Monique Ivelise)

domingo, 14 de outubro de 2012

Sopro

Já não há nada
que vele o passado,
senão o vento soprado

a busca de dentes de leão
sob o ar.
A busca de novas pétalas
e quem sabe,
uma nova amizade.

(Monique Ivelise)


domingo, 23 de setembro de 2012

Tudo termina em samba?







Quantos massacre mais serão necessários para mudar algumas atitudes?
Só viveremos se algum noticiário fazerem o favor de mostrar algo?
Olho por olho? Dente por dente? Vida por vida?
Vinte anos passados do Carandiru, alguns dias da Favela do Moinho.
Será que ainda tudo termina em samba?
Queria dizer que sim.

O que fez?

Sou vista como a terra dos tamborins e dos repiques,
onde se dança contra tudo,
se desvia do inevitável.
Marcho por batuque cordiais,
conversar cordiais, homens cordiais
e máscaras cordiais.

Ainda assim, sou vista como a dançarina
de moles partes,
que visita as casas dos senhores, sempre cordiais,
a busca dos restos da problemática.
O meu fim foi colocado em bancos,
a espera de uma nova viagem,
em novos entres.

O que faz disso?
Uma permanente construção de hábitos.
O que se faz?
Um violão, um repique, um tamborim.
Um chão, um povo, uma terra.

Novamente: O que faz disso?
A chacumdada de um mestre,
a língua dos matreiros,
o futuro inexistente.

Novamente:
O que faz disso?
Ainda assim tudo termina em samba?

(Monique Ivelise)

sábado, 22 de setembro de 2012

Bridget Carrington -- Tonight Best You Ever Had -- Duets

Jogo de dama

Não me fiz de dama a toa.
Foi de propósitos raciais em contramão da sua opinião.
Não me fiz para receber elogios,
muito menos desassossegos.
Em dama, foi colocada em xeque,
por um cavalo qualquer.

Fiz de pura, para tentar novas casas.
Um trás da outra.
Sem assim apegar a nenhum dos móveis.
A nenhum dos senhores.
Fiz de pura por uns trocados,
aqueles que restam ao fim das gavetas.

No lugar de dama,
desfiz dos peões, os arrastei para história sem par.
Tomei o lugar de rainha e
hoje faço de realeza.
Querendo um talvez, a luz branca e compreensão.
Querendo a dialética dos mornos.

Como rainha, fiz de meus súditos invertidos;
sem saber que era uma era de politicamente corretos.

E rainha, sou a mostra de invirtuosa nação de criolos,
que seguem pelas peças sem saber que estão sendo jogados.

(Monique Ivelise)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Oferta do dia

Vende-se ideologias:
tem de 10,
tem de 5,
1,99.
O que pagar menos,
será aceito de bom grado.

Na minha mão é mais barato,
mais sujo
e comprometedor.

Tem para todos os tipos de pessoas:
baixa, alta e podre.

Vem já,
vem já cliente.
Oferta do dia:
Chegue mais.

Vende-se meu querido.
É baratinho.

(Monique Ivelise)

domingo, 2 de setembro de 2012

Era uma novidade?

Sobrado foi o assombro de minha vista,
vigiada pela elegância de sargentos neuróticos,
consumido em vertigens passadas.

Transformei seus sonhos em caos,
sem saber que era apenas uma mentira de natal,
encontrada em qualquer vitrine de 1,99.
Virei seu chão sem movimento.

Foi de fato, não houve mais licenças;
alguns, quem sabe, arrobamentos
desmoronamentos e descaramentos.
Houve uma nova peça sem protagonistas,
uma esperada espera,
feita de pícaros e malandros,
sobre o incrível e esperado carnaval.
Uau, invisível as suas vistas
não se encontraram com mais uma história repetida.

De repetidos diálogos e repetidos olhares
sob a luz apagada de um repetido e primeiro bar.
Gerando uma novo, publicado, sentido e repetido nada.
Apenas os assombros, repetidos a primeira linha.

(Monique Ivelise)

domingo, 26 de agosto de 2012

Dedicatória

Que se faça antes de tudo a palavra,
que não é metida a revolucionária.
Se façam sorrisos sem concordâncias
e lágrimas cifradas.

A mão fechada em símbolo passado,
de um história de pares.
Uma mão fechada, carregada da primeira revolução.
Era uma mão fechada, plena de violência literária.
Não é vencida nos ringues de hipócritas.

Que se faça antes de tudo a ironia de um bom dia
ou de uma belíssíma noite.
O deboche e o choque dos perfis desacreditados.
A metáfora bem mais feita dos pobres de espíritos,
repletos por ópio sacro-sagrado.

Que se faça antes de tudo a palavra:
Bom dia, a metida revolucionária.

(Monique Ivelise)

domingo, 19 de agosto de 2012

Partituras


O que sai dos olhos 
são os desenhos de uma música:
fria e inacabada.
Uma música sem pios e agudos,
sem marchas e balanços.

O que resta:
foi por ai, 
flanando pelos céus;
de acordo com a brisa da hora.
Voando como uma borboleta,
sem destino e sem previsão.

O que surgiu:
Uma nova e estranha maneira de sonhar.

(Monique Ivelise)

domingo, 29 de julho de 2012

Quadrilha organizada



Então seu Zé: eu tava xônado pela Teresa, mas ela nada queria comigo. Fazia tudo por ela, sabe. Comprava flor, chocolate, até troquei de time por causa daquela cachorra. Ela gostava de um tal de Raimundo, um caboclo nojento, que não dava confiança pra ela. Sabe o que eu fiz: fui parar nos Estados Unidos, ilegalmente. Fiquei trabalhando durante vários meses. Ai comecei ganhar dinheiro. Fui ficando rico, rico, rico... Ai voltei pro Brasil e  fui procurar a Teresa e ela foi parar no convento. Dá pra acreditar? Era minha única esperança de ficar com Teresinha e tinha ido tudo pro poço. Então seu Zé, para tirar aquilo da minha cabeça, comecei a gastar tudo que eu tinha ganhado com bebida, farra e mulheres. Hoje, estou eu aqui na mesma praça, na mesma rua e no mesmo jardim, tentando viver sem a memória daquela vadia. É seu Zé, se eu me chamasse Raimundo, eu seria uma rima e não uma solução, sabe. E agora seu Zé, eu fico por ai com o minha amiga de verdade, a marvada da cachaça. É triste seu Zé, ter apenas duas mãos e todo o sentimento do mundo. E agora seu Zé?

(Monique Ivelise)

sábado, 28 de julho de 2012

Marighella, Carlos


A postos para o seu general
Mil faces de um homem leal (2x)
Protetor das multidões
Encarnações de célebres malandros
De cérebros brilhantes
Reuniram-se no céu
O destino de um fiel, se é o céu o que deus quer
Tô somado, é o que é, assim foi escrito
Maldito sonhador
Bandido da minha cor
Um novo messias
Se o povo domina ou não
Se poucos sabiam ler
E eu morrer em vão
Leso e louco sem saber
Coisas do brasil, super-herói, mulato
Defensor dos fracos, assaltante nato
Ouçam, é foto e é fato a planos cruéis
Tramam 30 fariseus contra moisés, morô
Reaja ao revés, seja alvo de inveja
Irmão, esquina de ... acima de ...
Que ousou lutar, honrou a raça
Honrou a causa que adotou,
Aplauso é pra poucos
Revolução no brasil tem um nome
Vejam o homem
Sei que esse era um homem também
A imagem e o gesto
Lutar por amor
Indigesto como o sequestro do embaixador
O resto é flor, se tem festa eu vou
Eu peço, leia os meus versos, e o protesto é show
Presta atenção que o sucesso em excesso é cão
Que se habilita a lutar, fome grita horrível
A todo ouvido sensível que evita escutar
Acredita lutar, quanto custa ligar?
Cidade chama vida, que vai ...
Clama por socorro, quem ouvirá?
Crianças, velhos e cachorros sem temor
Clara meu eterno amor, sara minhas dores
Pra não dizer que eu não falei das flores
Da bahia de são salvador brasil
Capoeira mata um mata mil, porque
Me fez hábil como um cão
Sábio como um monge
Antirreflexo ...
Homem complexo sim
Confesso que queria
Ver davi matar golias
Nos trevos e cancelas
Becos e vielas
Guetos e favelas
Quero ver você trocar de igual
Subir os degraus, precipício
E vida difícil, povo feliz
Quem samba fica,
Quem não samba, camba
Chegou, salve geral da mansão dos bamba
Não se faz revolução sem um fuga na mão
Sem justiça não há paz, há escravidão...
Revolução no brasil tem um nome...
A postos para o seu general
Mil faces de um homem leal (2x)
Marighella
Essa noite em são paulo um anjo vai morrer
Por mim, por você, por ter coragem em dizer

domingo, 22 de julho de 2012

Poema grande

Os meus atos foram embora com a outono


O que sobrou...

nada que atinga o grande  público.


(Monique Ivelise)

domingo, 24 de junho de 2012

Michael Jackson - Três anos após- This is it


Depois de três anos da morte de um grande ARTISTA, o que resta falar, senão sobre essa arte.
O mundo da música mudou completamente depois do advento Michael Jackson. Há um antes e um depois, depois da concepção artística inserida pelo Rei do Pop.
Desde a dança e a criação do Pop, tal qual conhecemos.


Nessa data, o que vai ser lembrado é essa longa trajetória.

Michael Jackson - You Rock My World (Extended Version)

Uma pequena homenagem para um grande artista...


 

domingo, 17 de junho de 2012

Criolo - "Não Existe Amor em SP"

Modelagens

Cala boca!
Cala para as minorias,
lembranças de algo maior.
Não fiz de nada, para ser postulada como modelo.
Fiz de nada, ainda assim sou lembrada entre os pequenos.

Aquela que se desfaz em horas, de pequenos pecados;
segundo nosso são senhor .
Puritana, nunca serei.
Programa, me restará os centavos das noites.
Comentada, nos jornais malditos.

Fui posta no altar das madames, 
que se espelham ao casar.
No entanto, casamento não me pertencerá,
devido a minha crua história.
Não me pertencerá os hidratantes de mel,
somente as picadas das abelhas ao produzi-lo.
Sendo posta nesse altar,
virei a santa e pura inocência dos criolos, 
ao olhos dos repórteres.

Cala a tua boa, 
quando pensar mais uma vez em brincadeiras.
Fazer, outra vez mais, os mesmos movimentos.
Fazer, outra vez mais, as mesmas mortes.
Sou o marrom arregalado, com toques de canela;
na tua receita clandestina.

Não faço mais estes papeis,
não quero nada.
Cala a tua santa boca de porcarias;
cala o teu senso de galanteador.
Cala a boca, 
caso contrário eu mesmo a faço.

(Monique Ivelise)

Primeiro lugar

Queria ser a primeira pela última vez
a aquela talvez,
a amostra de vogais.
Ser a salvadora de tua pátria falida,
sem presidentes, sem poetas, sem herois.
Ser o ser sem dente,
pelo cansaço da mastigação.
Ser o nada ser, sem perguntas, sem questionamentos.

Me partir, parindo a porra da sensível ideologia.
Só falo assim, um monte de vigilâncias abertas.
Só penso assim, a partir de todos.
Só respiro venenos,
só contraio remédios.
Só mando pra essa porra,
os analfabetos poéticos.

Me parto sem parte qualquer,
qualquer mínima normalidade.
A última dos últimos tempos.
A primeira de primeiras crises.

Rasgo-me e fui despida,
em função de nada igual.
Rasgo-me, sendo sensação do circo.
A primeira dos últimos,
A primeira da fila sem ninguém.

Queria ser a primeira pela última vez,
a talvez nada,
de vogais amostradas.
Queria ser um lugar.

(Monique Ivelise)

Energia solar

Os postes se acendem conforme o pedido
do coronel das primaveras inconformadas.
Os postes acendem-se devido o produto acabado,
pelos mestres de ofício.
Os postes produzem luz,
uma luz escura,
de raios violentados.

Já não fazem postes,
como antes:
altos, imponentes e sábios.
Deu lugar a uma boa e misturada energia solar,
a uma boa e repudiada,
a uma visão distorcida dos ângulos adjacentes.

Ah meu amigo:
será possível lembrar de algo que nunca viveu?
Dos postes que iluminavam a nossa sacada,
o nosso caminho do parque.Energia
Diga-me:
É possível fazer da pena uma sinfonia?

(Monique Ivelise)

terça-feira, 12 de junho de 2012

Brianna Perry - Marilyn Monroe [Official Video]

Amour

Meus sonhos se foram casar com as imagens;
que foram visualizadas em meio de fantasia invisível.
Minhas opções não se restaram,
a seu mínimo par de palavras.

Se não faço nada, pareço nada.
Se não faço nada, ainda pareço nada.
Se não faço nada, nada pareço.

Andaria de mãos dadas,
se não fosse dia.
Andaria de pés atados, 
se não fosse festa.

O amor não é mais aquele com cartões.
Não é mais paixões, nem rimas.
Eis amor, dos infiéis e dos coronéis.
Eis amor dos pastéis.
Eis amor de tudo que dança,
como se fosse pensar em algodão.

(Monique Ivelise) 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Vereda adocicada

As veredas já não são suficientes para propagar as ondas de calor,
de uma pequeno ser que vai por caminhos reversos.
Não é mais possível viver na árida corrente de cortes,
de viver em meios de tantos sim's.
Faço-me de  vida, em contramão ao passado das programações.
Faço-me de herói, ainda acentuado; aquele que ainda não passou por mudanças.
Faço-me de fantasma,  feito de algodão rosa; 
que ainda inventa novos sustos,
afim de contrariar todos os contras.

Sempre serei aquela vítima,
pela tarde.
Virei pelo chão seco, com sede e fome 
                                                   fome de caminhada mais eficazes
                                                                                         fezes por símbolos ultrapassados.
As veredas já não são suficientes, para garantir o sorriso de uma besta mulher,
que como eu, faz painéis pesados,
dobraduras de bolas de sabão,
sobre a chuva
.
As veredas já são suficientes para cobrir a primavera,
com as flores de verdade 
e fazê-las perfumadas.
Já não são suficientes em escolher os grãos de feijão durante o almoço;
em fugir por pontes quebradas.

Faço-me-ei em cravo,
em orvalho,
em pé de maracujá;
e criar em veredas.

Mesmo assim, já não é suficiente querer as bolas de sabão
revertidas em veredas.
Pois bolas de sabão não tem gosto de canela.

(Monique Ivelise)

terça-feira, 5 de junho de 2012

São máquinas, não as mesmas; mas ainda máquinas - Drummond/ Camões

A máquina do mundo
(Carlos Drummond de Andrade)

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vindo dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina  do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensando se carpia

Abriu-se majestosa e circunspecta
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiros tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou, 
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo."

As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge

distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos

e tudo que define o ser terrestre 
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber

no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:

e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência jamais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperança mais mínima - esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, mais mais quele
habitante de mim há tantos anos,

passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,

seguia vagarosa, de mãos pensas

domingo, 3 de junho de 2012

Identidades apostadas


Já não faço parte daquele modelo,
que estipulou para minha figura.
Não sou alegre, para te fazer rir.
Não sou triste, para te dizer conselhos.
Faço sim outros longas, com outros atores;
com outras paisagens.

Continuo em preto em branco,
em função de aparentar mais coerente,
para tuas imagens.
Continuo em preto e branco,
em desejo da plateia que já se foi.
Continuo branco em preto,
para que seja eu, a aposta das noites.

Sou assim, fui assim e não continuarei assim.
O que transpassar são os meus olhos contornados
e seu fundo amargo.
O que resta são as vírgulas,
que perpetuarão para um doce sempre.
O que vai,
será ao teu lado,
a longa visão de algo ou alguém,
que ainda dá passos dançando.

(Monique Ivelise)

BILL WITHERS JUST THE TWO OF US

The Impressions Its All Right

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Subtração



Faça o que quiser,
deite por por aí,
fale incompreensões,
não aceite o mínimo como oferta,
nem o máximo como herança.


Evite confissões,
sem teu algoz,
pare nas linhas verdes
e cruze as vermelhas..


Não espere pelos outros, 
uma forma amável de lidar.
Não ame os seus próximos,
Evite os sãos, 
aqueles que realmente sabem o que fazem.
Ou pelo menos, 
dizem que o fazem.
Não adicione, nem multiplique 
as variações da minha fala,
de detentora do saber.

A incrível poetiza,
reconhecida pelos becos sujos,
licenciada pela academia de poetas mornos
e aprovada por seu discurso comum,
de figuras comuns e gente comum.

Não faça de louco,
pois não sabem as opções de seu ato.
Nem queira as sombras lunares,
sem saber as pedras,
que veem junto.

As pedras já não fazem os mesmos estrondes,
já não quebram as vidraças da mesma maneira.
Foram contraídas em pó .
Em pó, serão jogadas nas águas 
do teu esgoto,
da tua rua,
dentro da tua sala de visitas.

Então:
Saia daqui 
e faça algo melhor, 
que leitura de poemas.



Não se faça de intelectual.
Realmente, faça algo melhor.



(Monique Ivelise)


domingo, 27 de maio de 2012

" com meu defeitos
insuportáveis.
Sofro,
choro,
silencio.
Sou Dama das Camélias Encarnadas.
Sou uma ferida
bem vestida
e maquiada."

(Fernanda Young)



quarta-feira, 23 de maio de 2012


"Hoje você vai ter que fingir que preto é a tua cor favorita
...
Pólvora não é tempero,
então cuidado com que você põe na boca..."

Desmistifique suas posições, não se faça de hipócrita, que finge não ver... que finge não enxergar...
    





terça-feira, 22 de maio de 2012

Emicida e Rael da Rima em "Num é só ver" no Estúdio Showlivre

Uma só nota

Me falas todos os dias, que vou ficar sozinha na vida,
serei sozinha aos 30 e aos 50.
Não agradarei meus entes falecidos.
Não agradarei se não a mim mesmo.

Não programarei todas as minhas querências duplas,
em função de um nada, que vive em particular.
Serei uma só sem vez,
de brigar,
de chorar,
de amar,
de recusar,
tudo que se faz sem par.

Me falas, que não sou possível de rir de comédias
e chorar por dramas atuais.
Que só sei escrever em diários, o que queria falar
de meus inimigos.
E fazer atribulações somente nos ares irreais.

É, não vou dizer que falas apenas bromas,
mas também não sou exatamente o que desenhas,
se não uma bailarina sem chão.
Procurando uma nota para movimentar,
e quem sabe fazer uma sinfonia.

(Monique Ivelise)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Vou te falar...

Vou te falar:
as palavras já não são as mesmas,
os atos já se foram
atrás de algo melhor.

Vou te falar:
as intenções são diretas, objetivas e infalíveis.
Não vão mais por um caminho tortuoso,
obscuro,
esperando a resposta.

Ainda vou te falar:
o que espera por mim, é a completa demonstração
de falida instituição de sorrisos.
O que espera por ti,
um despejo de ameaças,
completamente malucas.

Vou te falar:
Deseje o mais completo absurdo
e queira ainda mais.

(Monique Ivelise)

domingo, 13 de maio de 2012

Paredes caladas





Caladas em meio da multidão e um brado no sentimento

Correntes contemporâneas

Já se passaram 124 anos, desde o dia que que se desfez um dos maiores enganos mundiais, assumindo a imbecilidade de prender pessoas e torná-las escravas, em favor de um bem que não foi divulgado.
Ainda dura, em meio do século XXI, as amarras que prendem esse país sem ordem e progresso em uma máscara.
Não devemos comemorar uma data, que nunca deveria ter acontecido nessa terra de Cabral. Não devemos comemorar uma data, se ainda somos escravos de alguns donos, mesmo que não queira que se ver.
Um dia sim para ser lembrado, como aquele que alguns se deram conta do erro cometido, como amostra do modelo fingido.
Um dia que deve ser lembrado em sinal de nosso sangue, em sinal do nosso futuro.
Vivemos em meio de correntes, muito mais fortes e resistentes, que as primeiras. Correntes soldadas com nossa arrogância de pensadores de gelatina. Perpetuamos ainda mais nosso descaso, a imensa vontade de eliminação dos diferentes.
Se hoje é um dia que representa a liberdade, ainda que entre aspas, de um povo migrado; fez-se até então a prisão, devido o que nos foi servido em bandeja de cristal: o nada como herança.
Sim, foi oferecido os restos, as migalhas, que caíram da vossa boca ao mastigar suntuosamente. Sim, foi oferecido as amarras como a fotografia infantil, que relembra os tratos com a minha gente. Sim, foi oferecido a imagem "natural", propaganda de um qualquer em nosso favor.
Finalmente, sim, foi oferecido aos meus, o sangue como forma de explanação; um discurso que alguns acham passado, igual e completamente monótono.  Hoje só foi oferecido a mim as mesmas correntes e um calar de voz.


(Monique Ivelise)

sábado, 5 de maio de 2012

Fotografias

Ao falar, vejo que as órbitas já foram feitas,
as expectativas programadas e
os quadros apagados.
O que sobra é um tipo e melhorado jeito de tentar
entender todas as ações do seu dia-a-dia,
aquilo que te faz pensar nas estrelas.
Como faz para dizer as idiotices do seu cotidiano,
ao brigar com seus amigos na porta do bar.

São apenas suposições,
ao reconhecer o seu tipo de pele,
como faz para dormir em dias de chuva e
quando acorda em dias de sol.
São apenas suposições enquadradas
em 10x15, ao saber o seu lugar de meditação,
quando sente-se uma lágrima, ao rolar em seu rosto.
Ainda suposições, ao fazer hinos de salvação
para os infiéis, das calçadas frias;
também, quando tocas no príncipio
da modernidade tardia.

Faço aqui é inventar uma vida de personagem cinematógrafico,
para ti, suas aventuras nas ruas desalmadas.
Faço neste local, danças da chuva,
esperando novas estações;
para quem sabe um dia lhe revelar,
em papel novo e transformado em sementes mortas.
Faço aqui neste lugar,
esperar que tome vida,
para quem sabe não mais trabalhar.

(Monique Ivelise)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Progresso aparente

Cada vez que o tempo passa e a globalização avança, juntamente com um discurso de liberdade e fraternidade, em contramão, o mundo fica mais tradicionalista, mais repressor e muito mais perigoso.
Mais se sente preso a convenções tortas, que não fazem mais que trancar os avanços que muitas pessoas correram atrás, por um longo tempo.
O ópio do povo não é mais somente a religião, mas a imagem que foi construída de vida. Aquela do qual toda a diferença deve ser eliminada e tirada de cena. Assim, pintar um quadro perfeito, da casinha no monte com as arvorezinhas ao lado. Aquela que as pessoas devem ser totalmente iguais, de cabelos, olhos e visões iguais.
Será que estamos construindo, com isso, um "novo e melhorado" tipo de ditadura?
No entanto, uma ditadura que não se desfazerá com 20 anos, com pólvora e desaparecimentos de corpos, e sim pela exclusão do uso da palavra e de sua força linguística. E sim pela exclusão da visão, da vontade de comunicação segundo seu próprio modo.
Tenho medo pelos meus iguais e principalmente pelos meus diferentes, se daqui algum tempo não for mais possível sonhar.


(Monique Ivelise)

Rouge

Meu batom não atinge as suas órbitas,
meus olhos pintados de negro não captam a sua intenção,
apenas querem algo já pronunciado por ti.
Querem o sussurro atrás da orelha,
ainda que há distância.

Esse mesmo batom quer se espalhar
entre as serenatas repicadas.
Quer manchar suas camisas de trabalho,
para que quando chegue em casa as lave com piedade.
Quer fazer propagandas na alta circulação,
do último fato contravertido.

Já os olhos pintados,
querem absover as lágrimas de seu pranto.
Fazer a cama, que escolhe ter prazer.
E limpar a mesma cama, quando sai correndo,
para novamente ultrapassar a barreira do espelho.

Mesmo sendo, apenas, uma fantasia;
de dias de chuva ou de cansaço.
Uma fantasia que cultivas como fosse real,
para agradar algo já decidido por suas mensagens.
Apenas uma fantasia de carnaval,
usada quando todos já foram dormir,
feita com todas as características de sua célebre reclamação de macho
perpetuador da classe.
A fantasia que se pinta de rouge,
para quem sabe um dia se postar a sua frente
e dar-lhe apenas um não fantasioso.

(Monique Ivelise)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sentenciada

Por um dia, fui a princesa dos reino dos arco-íris;
lugar onde todos eram felizes, sem qualquer preocupação,
sem qualquer perigo eminente para os que pensam demais.
Lugar de carinhos visíveis, onde as crianças se alimentavam de sinfonias molhadas,
e despejavam ondas de coloridos e assim saiam amplamente musicados.

Por minutos, era uma meretriz da nação culturalizada;
parada em um poste qualquer, de uma rua qualquer
em qualquer momento.
Rebanhado por médias postagens mediadas, de acordo com a tabela recente.

Caminharam com a verdade, que por muitos desmestificada e totalmente relativizada.
E eu? Fiz de nada para contribuir com a situação,
permaneci isenta das opiniões gerais das ruas e de suas pinturas na parede.
Pinturas sem contornos exatos, perfeitos protótiposda sua inspiração.
Nada fiz para a exata situação que se iniciara.

Chamei os muleques para a tal chamada revolução,
do pequeno povo de cantos abaixados, na frequência maldita fm online.
Por isso, fui sentenciada há 25 anos de prisão, por desacato à uma puta autoridade.
Fui presa com apenas a moeda do corpo, sem direito auxílio advogada.
Nem adiantaria, ninguém acreditaria em meu caso, de amante pervertida.
Ninguém recolheria minhas petálas secas,
ninguém reconhecia algo de saudável em minha pronúncia.

Por séculos, continuei a mesma pelos que me queriam afogada,
sem apelo ao juiz invisível, de um jurí diverso a minha vontade.
Hoje, escrevo essa carta, com a intenção de que ninguém a leia,
e não a faça uma heroína falida e mal tratrada.
Peço ao meu leitor ausente, que propague as notícias falsas e verdadeiros
ao meu desaparecimento de senhora gentil e inescrupolosa.
Apenas uma consideração, faça o favor de ir para o céu dos bobos,
pois o inferno de dante não lhe merece.

(Monique Ivelise)

Chico Buarque - A História de Lily Braun (Carioca Ao Vivo)

domingo, 29 de abril de 2012

O que pensas?


No que você está pensando nesse exato momento?

Onde estão as estrelas?
Para onde foram os sonhos?
Por que as palavras são assassinas?
Por que um ato nunca é bem compreendido?
Por que os estranhos são realmente os verdadeiros amigos?

Por que o céu todos os dias come o arco-íris?

sábado, 28 de abril de 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Jorge Ben Jor - Jorge De Capadócia

Salve Jorge!


Sou a favor das armas de Jorge.
Sob um céu de lanças contra o meu dragão,
que me desvias das rezas lunares.
A favor dos sincréticos,
que me fizeram filha das fortes ferramentas.

Sou ofensiva e aguerrida,
como sua figura propagou.
Irmã sou do divino, da fartura e do amor.
Oh meu pai,
ajudai-me a vencer as forças naturais.

Desconfiei as tuas intenções,
para minha gente,
analfabeta das pequenas palavras de revolução.
Desconfiei as tuas guerras,
da morte do monstro,
que lançam obscenidade
para esse ingênuo povo.

Então, sou vestida com tuas armas
e com teu canto de orixá ferreiro
Oh meu pai: Ogum, as vezes, Jorge.
Salvai-me desta terra,
longe de Ife.
Salvai-me deste mundo,
cada vez mais repressor e conservador.

Oh meu pai:
Provoque-me às ruas rezas,
leve-me a outro caminho,
de escritores impuros.
Salve Jorge!

Encomendas...


Ah pequenino menino,
de tantas querências e de tantos desejos.
Pequeno, de palavras, de muitas palavras.
Alguns muitos galanteios e muitas verdades paradas.

Não tenho tempo pra falar seu nome,
pois não sei ingleis e nem franceis.
Apenas finjo falar uma língua estranha,
que nasceu com minha estatura.

Ah pequenino,
o batidão também faz música.
Talvez incompreendida aos teus ouvidos,
mas o fazem.
Não queira respostas, verdades.
Apenas deseje perturbações,
as mais puras perturbações provocadas, as mais impuras.

Um dia lhe disse,
que não são olhos os importantes,
mas o que fazes deles.
Não é o sorriso e sim para que você o usa,
para quem você sorri.
Cuidado querido...

Pequeno poeta cantante...
Não te contarei meus sonhos,
nunca  lhe contarei.
Ponha-se pelos mesmos caminhos
do romance pré moderno,
feito de personagens invisíveis.
Nem falarei que este traçado de palavras,
foram produtos de uma encomenda, feita a meia luz.
Apenas tragá-las-ei como se fossem apenas minhas
e de não mais, que eu mesma.
Apenas queimarei quaisquer resquícios das pequenas palavras.

Então meu caro amigo,
Ponha-se para dormir
e que amanhã é mais um novo dia.
(Monique Ivelise)

domingo, 22 de abril de 2012

Silêncio mensal

Há uma voz minimizada,
diante os acontecimentos recentes.
Há uma vontade de não mais estranhar
imagens amigas.
Há sonhos que deveriam ser pintados,
mas nunca são.

Era uma história,
que se desfez, devido as configurações
de uma tecitura problemática.
Era uma história de pequenos personagens,
que se desamarraram.
Nada são, mais.

Era uma história de silêncios combinados,
que deixaram de ser confidentes.
Passaram pela mesma rua,
pelo mesmo chão,
sob o mesmo tempo.
Ainda assim, silenciados.

(Monique Ivelise)