sábado, 9 de julho de 2011

As sirenes

Enquanto as sirenes passam,
estou eu aqui suspirando
por palavras inválidas.
Estou aqui,
fingindo de fingidora.
Estou aqui,
fazendo de poetiza.

Enquanto lá,
o mundo vive e
brinca de não ser.
Enquanto lá,
os animais se devoram,
com calda de chocolate.
E eu, estou aqui,
sem saber para que lado ir,
só ouvindo as sirenes,
bem ao longe.
Como fosse mais uma música
das rádios.
As sirenes e eu aqui,
tomada de palavras,
que não fazem um sequer ruído.

As sirenes e eu.
Aqui

(Monique Ivelise)

domingo, 3 de julho de 2011

Linhas de uma prostituta pensante


Um lance de dados
em sua direção.
Um lance de raios,
ainda em sua direção.
Um lance seu
que inverte a minha órbita.

Dona sou, da inerte loucura.
Que o irrita,
o prende
e o doma.

Dona sou de nada,
de nada que me junta a você!
De nada que me liga
ao mundo servil!

Mulher sou de rua,
que cobra por prazer,
de imundos cavalheiros.

Mestranda sou
de teorias caídas.
Ao mesmo tempo
do programa.

Deusa sou
de ti,
imbecil pagante
por infinitos minutos
de aproximação.

O que faço?
A cada dia, a cada noite
procuro por novos imbecis
em busca de prazer.
E cobro por isso
míseras moedas.

O que não faço?
Não cobro nenhuma ternura,
nenhuma compreensão,
muito menos, nenhuma docilidade.
Apenas abro as pernas
em função de um sistema;
em função de palavras
fundantes.
E desato em uma montaria,
um corrida, uma competição
a la presente.
Sirvo, sim, o meu corpo.
Sirvo, sim, o meu gozo.
Porém, minhas palavras, estas,
são livres e soltas.
O meu pensamento,
e principalmente,
a minha loucura.

Serve?

(Monique Ivelise)

sábado, 2 de julho de 2011

E ai irmão?

Ebulição

Fez-se a explosão!
Tchibum!
A revolta da revolução,
do bem amado do infeliz.
Se quebrou
a cara branca de vidro.
Se quebraram
os pedestais de mármore.
Plaft!
Destruiu-se a moral
vigente do alto.
Destruíram-se as folhas
de cada árvore,
de cada sorriso.
Tipum! Tipum!
Nasceu o jogado de fora,
lá no centro.
Nasceu a voz,
que está aprendendo a cantar.
Alçou voo as palavras.
Fufuuuuu....
Ebuliu a vontade prendida.
Esparramou por todas margens,
queimando todos os pés.
Uhhhhhh!!!

(Monique Ivelise)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Onde está você?

Acorda

Acorda senhor!
Não vê o que se passa?
Não vê o que acontece?
Acorda-te!

Não sabe a direção do meu olhar?
Do meu sorriso.
A direção dos meu toques,
Acorda!

Acho que a burrice não é dos
teus pre-requisitos.
Se fazendo de mal entendido.
Oh, burro senhor!

Chega de conselhos,
de amorecos.
Acorda!
Chega!
Acabou!

(Monique Ivelise)

domingo, 26 de junho de 2011

Como se faz?

Faz-se a música com barulho,
com baaaruuuullhhhooooo.
Muito por sinal.
Faz-se a música,
com palavras femininas:
rosas e oblíquas.
Faz-se a música,
com passos de luto.
Comemorando a morte
da insensatez de coisas.

Como se faz um poema?
Então, meu irmão?
Com palavras?
Com músicas?
E ai? Meu mano
Escreve ai!!!

Acho de baaaaruuullhhhoooo,
de palavras femininas
e com passos de lutos,
que estavam comemorando
a tal morte da insensatez.

E agora:
É música ou é poema?

(Monique Ivelise)

Mentiras


Uma lágrima,
apenas uma lágrima,
apenas uma.
Que soltei por ti.
Pelo seu desprezo.

Foi apenas uma batida,
forte porém única,
em meu peito.
Diante da amargura da tua voz.

O que faço?
Esqueci das imagens.
Dos lapsos de memória.
Das palavras.
Dos sonhos.
Dos gestos.
Teus.

Retomo a pergunta:
O que faço?
Escrevo e viajo
na mentira de um futuro.

(Monique Ivelise)

Sexo com c

Não condiz a minha postura com
a inegável herança de ironias.
Herança branca de brados retumbantes.
Herança de prostíbulos viciados.

Minha conduta se faz de modernidades.
De puteiros sedentos por destruição,
por aparecer, por ganhar voz.
Que se faz de sexo de palavras,
de ideais desprivilegiados.

Minha conduta,
perversa,
imoral,
dolente.
Te prende, te trucida, te mata.

É levada a julgamento,
das grandes senhoras do respeito.
Sem qualquer defesa.
Só em meio de civilizados.
Só, a selvagem conduta.

Pegou 30 anos de cadeira,
sem direito a súplica.
Sem nada,
sem nada;
nada.

Hoje, trancafiada,
em uma cadeia de alta periculosidade
(que palavra bonita!)
Muda, conduta!
Hoje, há mais condutas
do mesmo jeito.
Transando pelas avenidas,
sob os tais olhos,

Há como prender?
Diga você!

(Monique Ivelise)