sábado, 7 de abril de 2012

Pretas imagens


A preta só se faz por bela em letras de sambas tupiniquins
A preta só se faz o bem quando em carnavais agostinos.
No retrato, para falar de igualdade des-social.

Na hora da fila é passada pra trás,
pois senhoras dessas cores podem esperar.
Na hora da escola, foi repetida pela quinta vez,
por que criança suja não tem comida em casa.
A preta só serve para limpar casa de sinhô,
a preta só serve pra dá cumida pra sinhô branquinho,
a preta só serve pra sentir dor,
a preta só não serve pra falar.
Por que preta não pensa né, sinhôzinho?
Foi o que o sinhô falou, pensou e deitou...
em seus sonhos mais escondidos,
que não podem ser falados a alta voz,
pois vivemos em uma nação livre, que respeita os ditos diferentes.
Pelo menos era que estava rabiscado naquela coisa
chamada de constituição.

Enquanto isso, continua a preta sendo cantada
em belas letras de belos cegos.
Em belas e amargas imagens de pretos caminhos

( Monique Ivelise)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

John Legend - Tonight (Best You Ever Had) feat. Ludacris

Queridinho

Não mais me peça para calar,
e assim recusar todos os sons,
recusar as mentiras de sábios,
de pobres idiotas, que se julgam capazes de
decidir a trajetórias de pobres leitores.

Não me peça para falar
quando as tuas estiverem esgotadas,
quando as tuas estiverem atrasadas,
quando as tuas anunciarem eventos.
Para cumprir a tua porrrrrra de trajetória
Falar para te satisfazer,
as tuas dúvidas
remediar o feito passado.

Não me peça mais nada,
não faço mais a vezes de sonhadora,
Não mais queridinho.

(Monique Ivelise)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Voltas

Com medo?
O senhor com medo?
Da pequena figura que vos fala.
Sem qualquer perigo aparente.
De inocente candura
e de um triste sorriso.

Com medo?
De fotografias ilusórias,
de diversas faces
e também variados olhares.

Medo?
De um dia ter que voltar
e se deparar com a estranha
sensação de repúdio.
De voltar e não saber
se de razão possui.

Estranho para um personagem
como o senhor
que já passou por importantes
fatos históricos sem qualquer arranhão.
Estranho para uma pessoa
que já foi em Martes
juntamente com o marajá.

Medo de mim, querido?
Não matei
Não bati
Não quis.
Não sorteei
Apenas publiquei as ideias
de certo senhor medroso.

Por isso?
Hoje já mantém um amor
para sua vida,
sem qualquer aproximação
com tua antiga vida.
Possui um canino,
que todos os dias late
por sua chegada e pedi por comida.
Já tem um telefone móvel,
televisão e uma escova de dente.
O que quer mais?
Tornou-se um homem realizado e influente.
E ainda mantém um medo por minha pessoa?
Sem pé, nem cabeça?

O que realmente fiz contigo?
Maldição? Não
Frango? Não
Macarrão?
Vai saber...
Abacaxi?
Rendição?
Recepção?

Não fiquei na janela não é?
Esperando as palavras não mais chegarem.
Vivendo de rascunhos, sempre inacabados
sem previsão de término.
Foi isso...

Mantenho a ti um conselho
meu querido medroso,
continue com teu medo por mim.
Fique por ai, enquanto eu aqui
procuro formas de ti amedrontar
e rir das incríveis bromas paraguaias,
dos stand-ups londrinos
sem voltar a minha origem
de uma pícara mulher de comédias.

Medo?
Vá se tratar...

(Monique Ivelise)



Bestial

Disparei frequência ímpares
sem saber que um dia
a confiança se fora
nas mãos de meu assassino.
Minha conta se fechou
em vermelho,
devendo até ajuda do padeiro.
Se fechou em baixo de painéis
com a minha jogada de messalina.

Editaram as páginas
da minha abestada vida
inocente, que via
as imagens transparentes,
sem qualquer conturbação;
Ei abestada vida,
de bestas personagens,
de bestas atitudes.

Converteu-se então:
uma digna bestaria
de poetas inúteis
e decoradas palavras.

(Monique Ivelise)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Distância

Afasta de mim
seu louco surdo.
Afasta por palavras
miseráveis.
Afasta por lírios
negros.

Some da minha órbita,
some de minhas configurações.
De tuas palavras.

Caia em tentação,
caia em desgraça,
caia em estatísticas.

Permaneça em tua atitudes.
E vá por ai,
gerando comentários.

(Monique Ivelise)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Partes

Os olhos se fazem de perdido
quando se deparam com a espera.
Uma promessa de futuro,
de visões de passados.

A boca não aparece quando
as cenas são insuportáveis;
e as palavras frágeis.

As mãos já não tocam o ar,
porém se fazem de surdas com as tuas carícias.
Já não alcançam as sonoras
melodias de teu caminho.

Assim, meus lugares
se fazem vazios;
sem o sabor de tua ritimia.
E minha cabeça
repleta de movimentos,
de ironias.

(Monique Ivelise)

domingo, 8 de janeiro de 2012

Janelas cerradas

Já não se pode olhar
com a mesma cumplicidade.
Já não se pode falar,
sem a interrupção.
Já não se pode ouvir,
sem os desencontros repentinos.

Sem as palavras,
os sonhos se foram.
Sem os números,
já não se vai mais as compras.
Sem o toque,
transformou-se em milagre,
de quilômetros a fio.

Já não posso abrir mais as janelas,
sem que os ritmos se contaminem,
com o cruel silêncio de harpas.
Nossos sons já não fazem
melodias,
apenas lembram de algo
que já passou
e por enquanto não
pretende mais voltar.

(Monique Ivelise)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Saída


Comprei rezas sem saber
que eram maneiras
de ser produto da senhora
poderosa imaginada
e cansada, verde capineza.

Fui por bares, bebendo ópio.
Caindo por tabelas,
recitando poemas de caminhoneiros.
E saindo assim,
uma perfeita venda
de jornais econômicos.

Então, conquistei o poder
que estava nas mãos de damos,
e fui lavar meus pés sujos.
Sem querer, encontrei rendição;
Sem saber, tapei a cara do pequeno;
sem morder, comi as migalhas das sarjetas.

Cuspiram na minhas unhas.
Em contramão, assassinei
as promessas de minha origem,
ao saber que era pra ser uma
simples religião seguida por
pobres passantes.

(Monique Ivelise)

Sem nota


A lira das canções
se foram em busca
de novas sinfonias,
sem saber que estas
estavam ocupadas,
entretendo
os vermelhos cheques.

Os teus sonidos
se desfarelaram diante
a corridas de minhas notas.
Clavejos por tua importância esquecida,
que agora brinca de poetizar
palavras comuns,
e meio clichês,
sobre os que falam que era
amor.

Falaram de espera de claves.
O que se deu:
inúmeras tonturas,
que se fingem
de alguma coisa.
E foram assobiando
pelas calçadas acabadas.

(Monique Ivelise)