segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Entre raios e perfumes


Se hoje cuspo raios e trovões
Foi por que um dia
comecei a recolher raios de sol,
chuvas ensolaradas.
Plantei pequenas gotas
de lágrimas,
de diversos momentos.

Se despejo tornados,
maremotos e tufões
em teu favor.
Por que um dia,
aprendi a rezar pequenas ondas.
Comecei a manipular
pequenos remédio
sem sabor.

Cozinhei chuvas
sem sal,
sem tempero.
Eis que se fez as tempestades.
Separações e emulsões
de alecrim.
Juntamente com alfazema,
que se converteu em sândalo.

Ao assar as tuas palavras,
destinadas a outras,
aprendi como as fragrâncias
nascem e também,
como se gera os fenômenos naturais.

Ao magicar os ritmos,
me fiz de rogada,
me fiz de pura,
de santa.
E cuspir aquarelas negras.
Ao magicar,
me consumi em cheiros de ralo,
de esgoto, de peixe.
Ao magicar os sonhos,
tornei-me sem conjugação.
Apenas um raro exemplo
de exceção.

(Monique Ivelise)

domingo, 13 de novembro de 2011

Cenário de acordes


Sempre andei sozinha pelos trilhos
Pelas agulhas, pelas palhas.
Fui pela linha lilás,
atrás de aviões de papel.
Atrás das nuvens de vento,
esperando um sopro de verdades,
Sopro de paçocas com leite,
com biscoitinhos de mel com canela.

Corri por janelas solitárias,
em busca de corações azuis,
com pintas vermelhinhas.
Com abelhas zunindo,
peças de Betovem com a bumba
e triângulo.
Eta coisa!

Sai por planos ocultos,
conversando com mestres de rock,
pulando vazantes com formigas,
dançando melodias com surdos.
Em planos ocultos,
minha mente afastada,
do meus.

Sai por ai,
vivi sozinha
através de sonhos vendidos
no comercial da novela.
Enquanto se vende
uma vida perfeita.

(Monique Ivelise)

sábado, 12 de novembro de 2011

Medidas

A minha liberdade
por um grão de arroz.
Aceitas?

A minha sorte,
por um tapa na cara.
Ainda que leve,
mas arrogante.

O meu corpo,
por uma laranja,
doce e sem sementes.

Um preço justo
por coisas sem o uso devido.
Um preço devido
tuas pretensões.

De meias patacações,
de meias loras,
de 1/2.

A minha palavra
por uma moeda.
Escolha qual valor.

Aceitas meu senhor?

(Monique Ivelise)

Posso?


Posso poder o teu poder
de pedir a tua mão para
uma viagem de pedaços.

A tua mão de pancadas,
totalmente ironizadas,
conceitualizadas, esmagadas;
mas ainda mãos.

Posso pedir os teus olhos,
os mesmo que sempre dizes
em tua poesia.
Olhos de ressaca, brancos,
negros, mulatos, são os olhos.

Também posso pedir teus pés,
cansados, descalçados, descarnizados;
Pés de atleta, atriz, de moleca.
Ainda pés.
Pés.

Posso pedir teu beijo,
que outros já foram feitos,
em outras bocas.
Beijo de sorrisos,
de morte como uma viúva negra.
Beijos frios, distantes.
Distantes beijos.
Ainda beijos.

Posso?
- Não!

(Monique Ivelise)

sábado, 5 de novembro de 2011

Common - Blue Sky (Official Video)

Artigos baratos


O novo programático sonho
de um povo,
se fez diante do som de cola.
Aquele povo que aplaudiu,
as montagens de peças nazis.
Aquele povo que matou
o senhor das escrituras.
Oh povo sabido!

Oh povo de moedas,
de ouro de mestre.
Oh de céus azulares.

Construiu assim
a nova dinastia,
de mortos e loucos personagens.
Construiu assim,
a nova empresa de abridor.
Destruiu assim,
a sua maneira.

Se não acredita,
bem vindo ao inferno
de emoções baratas;
de lágrimas baratas;
de artigos baratos.

Encontrados na seção de 1,99

(Monique Ivelise)

domingo, 30 de outubro de 2011

Pare!


Pare!
Os seus olhos se fecharam
e foram por ai,
atrás das voltas que não voltam.

Foram viver,
enquanto tu, digníssima,
descreve-os.
Segundo o versículo
do livro esmaltado.
Segundo a prece sem fé,
do puro escrevista.

Sente!
Veja os trucídios do século nascente,
entre conversões de lixo
em corpos.
A beira da invisibilidade,
dos mesmos olhos brancos.
Veja o que se transformou
a ideologia da patente.
Aquela, carinhosa, ideologia
de tortos.
Converteu-se em símbolo contrário.
A fonte do afastação.

Acomode-se senhor:
as tais figuras representadas,
podem ser encontradas facilmente.
Junto com elas,
munição de reclamante,
prestes a estourar.
Apenas abra a janela,
a explosão se dará, meu senhor.

A explosão se dará, meu senhor.
A explosão; meu senhor.
Explosão meu.
Explosão.
Meu senhor.
Senhor?

Explosão!

(Monique Ivelise)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Rendição

Quero ver sob à sorte,
sob os olhares de meu,
quem sei que fosse.

Fosse talvez apenas um
sonho.
De figuras (in)lustradas
entre céu, de tua posse.
E o outro, que se rendeu
a maioria.
Rendeu-se e se foi.
Foi para nunca mais
servir.
O coração de alguém
que nunca se
rendeu as palavras.
Não se rendeu aos sonhos.
Não se rendeu ao não.

(Monique Ivelise)

Rabo de olho


Ainda sinto o perfume
do beijo do rosto.
Feito de sonhos científicos,
cordial e pacífico.
Do abraçado beijo seminarista
Do querido e idealizado abraçado beijo.
Do querido e abraçado virar de
olhos para direita.
Virar?
Um medar de olhos
fuzilante.
Um virar para esquerda
direita pra trás.
Quem sabe visualizar
outra cena transparente.
Visualizar, quem sabe, um sorriso xadrez
à esquerda, da sua esquerda.

Enquanto isso...
o grande, o grande, falava
o senhor que mexia, tremia
a mesa.
do tempero do cantinho que
algo pudesse ficar quietinho.
Dizia ele.

Outro, enquanto isso...
Surgia o rabo de olho
para o olho acompanhado
da direita, da sua direita.
Que também vigiava o
meu olhar da esquerda,
não para minha direita
e da sua esquerda.
Quem sabe do meu sorriso,
escondido e calado.
Vivendo acabado
mundo das flores brancas,
claras brancas claras flores.
Vivendo entre rabos de olhos
para minha direita.
Vivendo vigiado entre
flores brancas claras,
e sorrizados.

(Monique Ivelise)