sábado, 26 de fevereiro de 2011

Apenas um lugar no palco...

O que me resta agora é desinventar,
coisas que foram manipuladas com cuidado.
Fotografias que poderiam ser minhas,
olhares e sorrisos.
No entanto não é,
Talvez nunca será.

O que é então de minha posse?
Apenas as palavras,
que enganam, ou se faz enganar.
Manipuladas, porém sem qualquer efeito.
Apenas palavras,
Apenas uma lágrima,
Apenas uma esperança
e vários caminhos.

(Monique Ivelise)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Reticências

Por que parar?
Se o erro é rápido,
o vento certeiro,
a luz imaginária,
a morte paciente.

Por que chorar?
Se não me comovo,
Se não faço diferente.

Por que continuar?
Se o destino já foi previsto,
a sorte lançada.

Resta apenas um processo,
de uma coisa que seria coisa,
se fosse verdade.

Resta apenas um sentimento,
já apagado pelo desencontro;
pelas cores transparentes.

Por que mesmo?

(Monique Ivelise)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Não estamos falando de loucura?

Eu? Poetizar?

Por que toda a poesia se faz do triste?
Para contornar o real.
Para evitar a alegria?

Seja o que for,
permaneço o caminho de todos?
Não sou uma singularidade?

O que faço?
Ser poetiza?
Como meus antecessores?
Meus sucessores?

Será que sou triste de natureza?
Será que possuo o pessimismo?
Meus versos são exclusivos?
Ou apenas uma continuação?
De algo arcaico?

Não quero tantas, coisas
Mas estou fascinada por essa coisa,
que nem sei o que é.
Então?
Navego ou morro afogada?
Danço ou saio?
Canto ou escrevo?
Vivo ou permaneço?

Eu?
Poetizo?
Sinceramente não sei!!

(Monique Ivelise)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Interrogações

O que dizes,
nada condiz com tua postura.
Como olhas,
se afasta de tuas fotografias.
Teu toque,
se confunde com tuas brincadeiras.

No meio de tudo,
está eu, cansada
de tantas confusões.
O que torna,
o silêncio mal dito.

Hoje, lamúrias
ao som do luar desaparecido.
Hoje, um insensato destino.
Hoje, interrogações.

(Monique Ivelise)

Por que não digo eu te amo

Sobe pela garganta, um grito,
abafado.
Cansado,
de tanto ser e não viver.
De tuas atitudes,
fazem de mim,
uma pequena...

As palavras não falam de amor,
mas de hipocrisia.
De tuas atitudes, fez de ti
o silêncio.

Então, recuso
a tua companhia.
Em mostra de interesse visível.

Então, não digo.
Apenas, sinto.
Vivo com o meu coração de pedra.
Pois as pedras demoram pra se desfazer.
Não me chame de ridícula,
Pois só não digo,
Eu te Amo!!!

(Monique Ivelise)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

São apenas crianças...





Hay muchos niños en la calle

O que fazer com a nossa infância perdida que cada rua de nossas cidades?
O que fazer com os pequenos anjos caídos, de um céu solto?
Como renovar o sonho em uma nação?

São perguntas que fazem de nós um qualquer, um sujeito que não procura promover a solução de uma identidade. Identidade sem cara, sem razão.
Nossas crianças vivem ao relento, sem previsão de vida, muito menos de morte. Crianças, que brincam de ser gente nas ruas. Com fome, com frio, com saudade, de uma coisa que nunca tiveram. Brincam de ser cidadão, de ser respeitado por fantasmas.
Cabe, chorar?
Reclamar?
Melhor agir em função, não de si próprio; mas em favor do outro.
Para que as canções, não se repitam. Dizendo que há niños en la calle.


(Monique Ivelise)