quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Deixo

Deixo
os raios surgirem no meio
dos teus olhos.
Deixo
fugir as brincadeiras
de pequenos repentistas.
Deixo
as letras surgirem delante
a frente do bastardo
sortudo.

Fazer assim,
um silêncio de barulhos,
para correr em outra direção.
Correr de ti,
amante de segundas e quintas.
Correria
de passagem.
Correr de teus hábitos
de menino crescido;
esquecido das intransigências
da celeste vida.

Deixei, corri
e vim escrever
tonterias de pingos
de pimenta.

(Monique Ivelise)

domingo, 9 de outubro de 2011

(In)lembranças

Se você voltasse, seria um deserto.
Se você dançasse, seria apenas um vulto.

Como estou cansada de cópias:

Calma!
Eis o puro exercício
do nada sobre nada.

Tudo que fizer,
será apenas um espelho.
De editações ou escarneações.
De besteiras.

Mantenha-se!

Perto de ...
De que mesmo?

Furei a fila,
e foi, eu mesma,
comprar meu passe de liberdade.
Da coisa que nunca quis.

Mais um pouco!!!

Parada no meio
do ...
joguei um artefato curioso
na janela,
e só encontrei pétalas,
dentro da rachadura.
Somente água,
querendo sangue.

Espere!
Não?
Então:
Retire-se.

Não há medo do que faz
pela ausência de sons.

(Monique Ivelise)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Segredinho

Quando uma palavra, o não.
Quando um ato, a recusa.
Quando a virada, desaforo.
Sob a festa, o sonho.
Da notícia, um alento.
Entre a pessoa, a mentira.
Pela pele, um trocadilho.
Perante a confusão, a liberdade.
Um louco, o desentendimento.
Do pouco a mais, o céu.

Sobre a minha palavra, o choro.
De meu ato, exótico.
Minha virada, pulada.
Notícias minhas, perante um pouco.
De minha festa, apenas os sons.
De pessoas, nada sei.
Pele minha, rarefeita.
De confusões, habituadas.
Da loucura, uma iniciante.
De pouco a mais, quem sabe um possível entendimento.
De pouco a mais, tua eliminação.

De restante, apenas um segredo.
(Monique Ivelise)

sábado, 1 de outubro de 2011

Vitrines de luxo


Produtos esquecidos.

Somente a Esperança


Quanto vale o nosso arrependimento. Na situação, que se encontra um nobre pensador. Elevado pela consequência dos erros da vida...Ele pensa, que ninguém pode ver o seu arrependimento. Pelo fato, dele estar privado num lugar de tormento. Ele perde, o contato com o mundo lá fora. Ele se sente preso nos grilhões da vida. Excluído pelas pessoas que deveriam acreditar nele. De repente, no lugar em que se encontra. Daí, no meio de toda aquela atribulação. O nobre pensador, sente em si mesmo, uma enorme força de vontade. Que o faz enxergar, que nada está perdido. Que ainda há esperança na vida dele. E toda esta força que brilha dentro dele. Revela um Deus, que vê o seu sofrimento. Todo o seu arrependimento. E vai fazer de sua vida um novo capítulo. E logo o nobre pensador, se emocionou, com tantas emocões boas. E apesar da situação em que se encontrava. Pôde ver, a sua liberdade através da esperança.

M. J.




*Texto de um chamado "infrator" pelos outros, que vivem dentro da dita "sociedade oficial" e tida a melhor.
São palavras que se fazem por meio, de todos os desenlaces feitos por tal feitoria, de costumes e produtora de diferença e de exclusão.
Quem disse que a arte não faz do esquecido?

Antídoto


Me abandone,
Me ignore,
Me negue.
Faça o que quiser. Faça.
Não se engane se um dia, se um dia.
O veneno for inserido no próprio produtor.
E daí surgir um novo gauche,
que sadaliza toda sua macunaimez.
O processo ser invertido,
contra sua própria acidez.
De gentis inocentes.
De poetis safis.

Então, meu caro amigo:
olhe a tua esquerda,
os piores venenos,
são os doces.
Os piores olhares,
aqueles que não se percebem.
Já as palavras,
as pequenas.

(Monique Ivelise)

sábado, 24 de setembro de 2011

O som calado


Um tapa de luva sobre tua face,
que se fez novamente os elogios
de minha estranhez.
Sob a minha cor,
de fechados contornos
e claras histórias.
Sob minha forma corporal,
de pícara.

Aquela que modernizou
todas as ondas de azul marinho,
de transmissão de vozes.
Aquela, que sou,
mais que um som calado.
De atos programados
pelos grandes amostradores.

Aquela,
que fez sua condição,
imposta pela genética,
apenas um assassinato.
Assassinato de culturas,
de navalhas,
de receitas.
Mortes de posturas
de jambos dermáticos.
Morte dos olhos,
dos olhos.
Apenas um tapa de luva.

(Monique Ivelise)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Só queria mudar de resposta

A única que sai da minha boca
é o não.
A tal interjeição presente
em todos os ramos da sociedade.
Aquela que nega todos os ares
de uma nova cena.
Que nega a possibilidade
de algo que nunca se fez.

A palavra, esta, não segue
nenhum modelo de cordialidade;
de receptividade.
Ora, nenhum, caro senhor.
Um único e repetido,
não de trajetórias,
mas de balanços.

Então?
Como mudar?
Acredito que nunca,
converterá em açúcar.
Permanecerá intacto
e irreversível.
Ainda não posso transformar
ouro em melodias.

(Monique Ivelise)

Roteiro de madrugadas


Sobre a madrugada,
que vejo os olhos da palavra.
Aquelas palavras que se fazem
a partir da aventura,
que não foi feita para mim.
Aquela aventura que se apresenta
doce, uma calda de açúcar queimado.
Porém, transforma-se em pequenos
invernos: frios e amargos.
Aventuras de mim,
querendo fazer de mim
a segunda da vida,
não mais ser dona de nada.

Ainda sob os olhos da hora
adiantada.
Vejo que a loucura se foi
e o que ficou foram vários devaneios.
Ficou apenas uma escultura oca,
amaldiçoada e ainda quente,
das histórias sem par.
Sobre um dia