segunda-feira, 7 de julho de 2014

Falaceta diária

Já disseram um dia
que a novidade das vitrines
eram a falta e não o absurdo.
Eram um quem sabe
e não o com certeza.

Também disseram
que a imagem é mesma da rede.
Que não há nada escondido
através das vestes escuras
que cobrem minha pele.

Se confundiram com a cor
que pintam o meu cotidiano;
com a face que mostro publicamente
e aquela que permanece misteriosa e obscura.
Com a figura frágil da porcelana
e a potência de um vidro quebrado.

Pensam por aí que há mais de uma filosofia
para descrever as unhas dos pés;
sem que essa fosse realmente necessária
para alguma coisa.
Há uma plena maldosa vontade
de balançar os pilares da tua predita consciência.
De saciar o vinho que envenena os teus pensamentos.
Disseram um quem sabe
e nunca um com certeza.

(Monique Ivelise)

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Um medo

Não escolhi as pistas
ainda faço verso repetido
sob as veredas tropicais.

Meu medo,
medo
medo
e mais medo

Burra,
saia dessa rota
canse dessa merda
saia

pulei mais perto
ao sair
medo
medo
medo

(Monique Ivelise)

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Cortes

Apontei meu milagres
ao pé da madrugada
como se fossem lápis de cera.
Quando mais apontava
mais perdia meus movimentos
minha forma
a vontade que ainda persistia.

Então, matei a sombra
que me cobria;
bebi todo o sangue.
Perfurei seu pulmão,
queria seu ar
seu sopro de não tão vida.

Hoje, continuo um ser torto
que puxa seus próprios cabelos.
Arranha-lhe a própria boca
e já não sente a própria voz.
Necessita da escuridão
da luz escura que me alimenta.
Pois mistura os tons
de primeira e terceira.
Já não sabe fazer revoltas de rosas.

(Monique Ivelise)

terça-feira, 13 de maio de 2014

Passagens bíblicas

pule dessa merda 
solte daí
caía da ponte
não fique no meio
transe até cansar
coma tudo
lamba os restos

O branco faz apagar as luzes 
do seu quarto
do seu desejo.
cure as feridas mundiais
seja um santo
procure o demônio.

Cheire a cola dos viciados
injete pequenas doses de alegria
por infinitos segundos de êxtase
não provoque o urro de dor, 
sem saber que esse só se faz por gemidos.

salive tudo que puder
fique em quatro
em local sujo e podre...

porra,  não lembre de nada
nada...
nada...

(Monique Ivelise)

Continho de fadas

As roupas já não me vestem como antes,
pois o pecado já não feito do original.
A minha pele nua já passa
nas calçadas como fosse outra coisa qualquer.
Continua a mesma coisa do anterior.

O toque já não arrepia,
mas anuncia o não, 
que todos os dias você me dá.
Apenas uma troca de palavras
e de volta para casa.
De volta para o instante 
tinha uma espécie de dono.
Um perfeito dono que se pensava príncipe
e vivia no mundo de bobos.

Então, um príncipe e uma bruxa,
um casal ideal para nossos anos de ilusão.
Tão ideal que o nosso heroi virou sopa 
nas mãos e na boca da assustadora bruxinha.
Já cansada de historinhas repetidas,
queria algo mais adequado ao seu biotipo.
E daí foi em busca.

No entanto, a bruxa sempre será uma bruxa
o príncipe, um príncipe
e o seu alvo, apenas uma idealização.
Já conformada, 
vive por aí sem ali's.
Vive tomando poções diárias, 
para se disfarçar e viver entre princesas.

(Monique Ivelise)




domingo, 11 de maio de 2014

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Minha esquina

Será que a espera é a única chance de um infeliz?
Algo que nunca mais será
um perfeito canto
uma perfeita voz
algo nada perfeito.

Um olho de cor de giz de cera
mãos de um nobre
boca distanciada

Por que se chama moço?
se as ventanias sempre me levam para longe.
Por que se chama homem?
se vou juntando momentos
de sua companhia

E lá se vai mais um dia
contando os compassos
de seus círculos.

Sempre serão coisas que nunca conseguirei entender...

(Monique Ivelise)

domingo, 16 de março de 2014

Declarações

Finge que a sua palavra não foi declarada
em um sequer momento.
Finge, que o adeus já foi dado
e minhas memórias se permanecem
em vão e luto sentimento.

Não estou mais curvada aos teus pés,
não cessei de nada que me impede de viver,
somente quero as coisas impossíveis.
Já que são impossíveis,
continuo borrando os ventos como fosse o ontem.

Minhas cartas já não são remetidas há tempos,
Minha terra estranha, minha ferida
meu adeus se foram.
Hoje, finge não entender nada
e faz declarações que movem o tédio da vida.

Caso entenda algo do que foi escrito,
permaneça em silêncio,
pois declarações já não movem a lembrança.

(Monique Ivelise)

sexta-feira, 7 de março de 2014

Trocas

Um vão por um medo,
em plena avenida parada
em dias de festas.

Mais um vão por um atitude
mal dada de caminho
bem pensada pela sorte
e pouco irônica de nascimento.

Pense, pare e não ouça;
os miados de fora
são fazem cachorro dormir.
Mais um vão pelo encanto de nada.

Nada mais a declarar,
o medo foi dado
pela moeda da casa.

(Monique Ivelise)