domingo, 29 de abril de 2012

O que pensas?


No que você está pensando nesse exato momento?

Onde estão as estrelas?
Para onde foram os sonhos?
Por que as palavras são assassinas?
Por que um ato nunca é bem compreendido?
Por que os estranhos são realmente os verdadeiros amigos?

Por que o céu todos os dias come o arco-íris?

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Jorge Ben Jor - Jorge De Capadócia

Salve Jorge!


Sou a favor das armas de Jorge.
Sob um céu de lanças contra o meu dragão,
que me desvias das rezas lunares.
A favor dos sincréticos,
que me fizeram filha das fortes ferramentas.

Sou ofensiva e aguerrida,
como sua figura propagou.
Irmã sou do divino, da fartura e do amor.
Oh meu pai,
ajudai-me a vencer as forças naturais.

Desconfiei as tuas intenções,
para minha gente,
analfabeta das pequenas palavras de revolução.
Desconfiei as tuas guerras,
da morte do monstro,
que lançam obscenidade
para esse ingênuo povo.

Então, sou vestida com tuas armas
e com teu canto de orixá ferreiro
Oh meu pai: Ogum, as vezes, Jorge.
Salvai-me desta terra,
longe de Ife.
Salvai-me deste mundo,
cada vez mais repressor e conservador.

Oh meu pai:
Provoque-me às ruas rezas,
leve-me a outro caminho,
de escritores impuros.
Salve Jorge!

Encomendas...


Ah pequenino menino,
de tantas querências e de tantos desejos.
Pequeno, de palavras, de muitas palavras.
Alguns muitos galanteios e muitas verdades paradas.

Não tenho tempo pra falar seu nome,
pois não sei ingleis e nem franceis.
Apenas finjo falar uma língua estranha,
que nasceu com minha estatura.

Ah pequenino,
o batidão também faz música.
Talvez incompreendida aos teus ouvidos,
mas o fazem.
Não queira respostas, verdades.
Apenas deseje perturbações,
as mais puras perturbações provocadas, as mais impuras.

Um dia lhe disse,
que não são olhos os importantes,
mas o que fazes deles.
Não é o sorriso e sim para que você o usa,
para quem você sorri.
Cuidado querido...

Pequeno poeta cantante...
Não te contarei meus sonhos,
nunca  lhe contarei.
Ponha-se pelos mesmos caminhos
do romance pré moderno,
feito de personagens invisíveis.
Nem falarei que este traçado de palavras,
foram produtos de uma encomenda, feita a meia luz.
Apenas tragá-las-ei como se fossem apenas minhas
e de não mais, que eu mesma.
Apenas queimarei quaisquer resquícios das pequenas palavras.

Então meu caro amigo,
Ponha-se para dormir
e que amanhã é mais um novo dia.
(Monique Ivelise)

domingo, 22 de abril de 2012

Silêncio mensal

Há uma voz minimizada,
diante os acontecimentos recentes.
Há uma vontade de não mais estranhar
imagens amigas.
Há sonhos que deveriam ser pintados,
mas nunca são.

Era uma história,
que se desfez, devido as configurações
de uma tecitura problemática.
Era uma história de pequenos personagens,
que se desamarraram.
Nada são, mais.

Era uma história de silêncios combinados,
que deixaram de ser confidentes.
Passaram pela mesma rua,
pelo mesmo chão,
sob o mesmo tempo.
Ainda assim, silenciados.

(Monique Ivelise)

sábado, 21 de abril de 2012

RAPadura (Norte Nordeste me Veste)

Placas

 até a luzes sem foram...
o que é resta é uma placa de proibido sonhar.

 

Não é rapaz?

É rapaz, você queria que eu me rendesse aos teus galanteios,
de poeta de porta de buteco.
Você queria que eu fosse pronta para todas as horas,
de teu caprichoso desejo.
Você queria que eu nascesse de outra forma,
para quem sabe contrair algo sério,
não apenas minutos programados, que estão escondidos da maioria.
Você queria que eu nascesse em julho,
em outro país, durante o verão europeu.

É rapaz, você foi o colonizador da minha espécie,
colonizador da minha cor.
Foi você que me chamou a casa grande em dias de vela,
para perpetuar a tua hiprócita virilidade.
E assim, criar a grande massa das terras de ordem e progresso.
Terra de são sem senhor, onde tudo que planta não é servido aos pequenos.
Foi você que me chamou de produto de algumas qualidades,
de ancas grandes, com disposição para guardar todas as mentiras de seu discurso.

É rapaz, você que me libertou segundo as leis atrasadas;
com o próposito de fazer essa mesma terra se adequa aos princícios de igualdade.
Mandou-se por um caminho sem destino,
sem casa, sem dinheiro, sem parente, sem lágrima.
Tirou-me da casa de meus pais e compartilhou-me com seus amigos intelectuais.
Mandou-me por um caminho sem destino,
sem documento, sem imagem, sem cens.

É rapaz, hoje ainda quer me manipular,
segundo a suas máscaras, de bom cristão, que vai todos os domingos à igreja.
Quer que eu deixe minhas vantagens, adquiridas com a idade
para novamente render a bonitas palavras.
Quer que me comova, quando passo pela rua
e você consiga me categorizar, especificando-me como um produto exótico,
de pele não tão escura e olhos não tão claros.
A personagem ideal para teus anúncios,
aquela que é o meio termo, diante as incríveis verdades acabadas de sua boca.
Não é rapaz?

(Monique Ivelise)