domingo, 5 de junho de 2011

Falando de amor

Não sei o que vou falar aqui,
tem alguma razão.
Também não sei se realmente
isso existo.
Nunca ouvi,
nunca senti,
nunca amei.

Então, posso realmente falar?
Eu te amo?
Palavras, um tanto repetidas,
desgastadas, empoeiradas.

Eu te amo?
Eu me amo?
Eu vos amei?
Eu nunca amei?

Então, tenho que começar a falar,
não é!

Estou realmente perdida,
falar do que não tenho conhecimento.
Falar,
vou me calar,
Calar para sempre.

Mude a canção,
Pronto:

(Monique Ivelise)

sábado, 4 de junho de 2011

Vendas

Eis a máquina que pensa,
porém não sente.
Eis máquina posta em meio de humanos,
com uma família qualquer.
Eis que máquina, que mais saudade
tem de seu computador,
de sua conversa virtual diária.

Aquela que parte o coração dos outros,
que suga o sangue dos bastardos.
Que não deixa nada,
absolutamente nada,
nada.

A máquina de coração de pedras,
daquelas que estavam no meio do caminho.
E agora, foram catadas e
permanecem guardadas no fundo do seu peito.
Estão prontas, para quebrarem vidraças.
Atacarem a ti, que assiste essa louca história.

A máquina, de corpo escultural,
com belos olhos misturados.
Atraente rosto de lata,
pintado de chocolate.

A máquina que ainda dança
talvez,
o único sentimento que a mesma possui.
Era a música da dança.

Eis aqui, senhores e senhoras
e quem mais quiser ouvir.
A máquina construída na década de 80
com formatos renovadas para época.
Ainda na garantia.
Com todos impostos já pagos.
Porém, devo avisar-lhes:
Esta possui vontade própria e
promove inconstantes desaventuras.
A mesma máquina de coração de pedra,
que prefere ao computador.
A mesma que possui olhos sedutores.

Cuidado, para não deixar seduzir,
pois ela pode te levar ao falecimento.

Eis, senhores, somente senhores
Promoção:
Pequenas parcelas de energia,
e você terá em casa esse incrível produto.
Eu garanto!

(Monique Ivelise)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Era cultura, ou era para ser


Não critique a minha palavra,
não cerque o meu olhar,
não faça de mim a tua musa.

Se sou a falácia policial.
Se seria a porra da fumaça.
Se sendo a latido do animal cansado.

Agora, faço nada.
Neste exato momento, fecho-me
as influências clássicas.
No segundo que se segue,
tolero e balbucio tolices para os patrões.
No posterior, politizo as viradas.

Bato a cara do infiel.
Desmantelo a qualidade de tartaruga,
que vende seu verde vivo para viver.
Soco a covardia de agentes do
"verbum vocus".

Logo após a selvageria ocorrida,
com mais palavras.
Volta ao caminha proposto,
porém invertido.
Na reza pretendida pela pastel.

Seguiu-se e
Amém!

(Monique Ivelise)

Sonhos de mulher


Foi para a janela,
se casar com o tempo passado.
Posto em um singular branco vestido,
em uma maquiagem branca
e um sorriso totalmente preto.

Esperava um oficial,
para o massacrante momento,
com seu sorriso preto.
Esperava a valsa vienense,
para cair em saltos.

Por sua vez, o noivo esperava
de canto a canto.
Esqueceu-se do horário marcado.
Pôs-se bêbado em um botequim qualquer.
Entre sambinhas de pingado.
Entre quitutes de sinhá Maria.

Enquanto isso,
chora a moça do preto sorriso.
Que um dia acreditou
em histórias de amor.
Espera na janela,
até que seu corpo parou.
Sem mexer qualquer partícula.
Parou,
como se fosse possível
voltar ao tempo passado.
Parou a preta do sorriso.
Cansou.

Então, sambou o noivo da preta rocha.
Comeu e comeu.
Comida e a fantasia.

Do outro lado, o sorriso quebrou
da preta que de branco traje.
Furou.
E também comeu.
Comeu!
As bactérias e o esquecimento.

A pequena preta
do sorriso preto pretado.
Foi e ficou na janela.
Desacreditou, parou e comeu.

Então, senhores pequenos, conto-lhes:
"Era um vez" que nunca começou,
mas comeu.
Era uma vez a tal do sorriso preto,
que iria casar com o passado noivo,
que o tempo se foi.
Se foi,
porém de barriga cheia e
de dentes brancos.

(Monique Ivelise)

Cuidado! Ambiente sem fio

Contei histórias em par,
do imaginário popular.
Contei que a verdade
da mentira.
Para o filho de teu modo.
Contei!

Fiz pequenas borboletas,
de papel colorido transparente,
para combinar com
tais histórias.
Fiz!

Eu pratiquei porcarias,
as mesmas que pensas,
as mesmas que desejas e
sugere.
Pratiquei!

Cansei de tantas babozeiras,
de tantas teorias vazias,
Sem pé e nem cabeça,
nem dedo e joelho descascado.
Cansei!

Então provoquei as mesmas loucuras,
inverti o organizado.
Baguncei, endoideci e piorei.
Sei!

Hoje, me encontro
calada pela academia.
Esfaqueada pela norma.
Hoje, matei tudo
que se tem conhecimento.
Matei e gostei.
Gostei e continuarei.

(Monique Ivelise)

domingo, 29 de maio de 2011

Gotan Project - Santa Maria (Del Buen Ayre)

Pacto com o diabo

Compromisso fiz com a politicada,
dos tais escravos da filosofia.
Escravos da mãe gentil,
que se fez de verdes louros.

Um pacto com a cultura
da efervescente Coca-Cola
e do tênis colorido.

Já passei alisante no cabelo,
já passei um gel na ideologia,
na identidade.
Então se firmou o ritual.

Torno-me também um escravo,
firmando em compromisso,
com a Gentil materna.

Torno-me moderna,
com conceitos antigos.
O ser já não cabe.
O não ser, também não.
O que então sou?
O talvez a meio da estrada.
Talvez mestiçou, hibridou-se.
Talvez a ironia contraditória
moderna do século V a.C.

Digo talvez!
Porque talvez fez
pactos e
nada se tornou.

Digo: Talvez!
Porque é uma palavra
foneticamente fácil.

Digo: Talvez!
Por que, tú, leitor é
muito burro.
Ou melhor, desprovido
de racionalidade.
Precisas que fales,
o que precisas ouvir.
Ou melhor, tú, é
desprovido de poesia.

Digo: Talvez!
Digas tú!
Ou cale-se para sempre!

(Monique Ivelise)

sábado, 28 de maio de 2011

Posso me sentar?

Licença!
Posso dizer algo?
Posso me sentar?
Bem no canto de tua sala.

Sei que não sou,
uma galáxia pulsante.
Mesmo assim:
Posso dizer algo?

O que virei a dizer,
com sua licença.
Poderá te abalar.
Pois se quero dizer,
dizer minha história,
a minha sociedade,
a minha.

Aquela que a senhor fez
o favor de esquecer?
Por isso peço licença!
Caso contrário abalei tuas
vísceras acostumadas.
Os teus olhos azuis e verdes.
A tua pele branca de folha A4.

Licença!?
Senhor?
Peço licença!
Posso me sentar
ao canto da sala?
Pois há muito tempo me
encontro cansada de não falar.

(Monique Ivelise)

Claridade...

Conselhos de mamãe

Um dia minha mãe me disse:
- Filha, se quieres ter poder
em tua vida.
Finges-te de burra,
Continuas tua vida.

- Mascares teus pensamentos,
Escondas tuas palavras.
Cole teu olhar.
As pessoas gostam de sentirem-se
em voga, ter um poder simbólico.

- Olhe com muita meiguice e bondade.
Fales sim, mas atrases o teu não.
Construas a face a partir do
orgulho alheio.

Não entendas de nada,
do que é falado,
do que é escrito,
do que é visto.

- Faças-te de burra,
minha filha!
Conseguiras tudo que queiras.
Faças isso, minha querida.

Depois disso,
da figura bem construída,
planeje a revolta dos burgueses,
faça o que antes foi escondido.

- Somente fingir de burra,
como muitos outros na história.
Um reino por um pretexto!

- Vá, minha amada filha:
Seja gauche na vida!

(Monique Ivelise)