sábado, 16 de abril de 2011

Invisível

Cobriram os meus olhos.
E agora que sou?
Marginal,
Criança.

Cobriram o meu falar,
minhas ideias,
minhas críticas.
Talvez, minha música.

Ataram os meus pés
e minhas mãos.
Debati sobre mim,
tentei dançar,
tentei mexer.
Fazer.

Taparam meu ouvidos,
estou cega!
Sem sentir tais ruídos.

Tornei-me :
Cega, surda, muda e
paralítica.
Tornaram-me:
Uma cópia, um retrato,
uma estátua.

Acabei-me em frente da
praça central da grande capital.
Bem ao meio.
Fiquei invisível.

(Monique Ivelise)

domingo, 10 de abril de 2011

Isto é fato!


Depois da bárbarie acontecida em Realengo, Rio de Janeiro; com a morte de 12 crianças. Vejo que há coisas que também devem ser levadas em conta. Uma delas é sobre o papel da mídia nessa loucura. Há quem fale, que especialmente de uma empresa de televisão bem conhecida à todos, fez uma ótima cobertura sobre o assunto, com links de minuto a minuto. Fazendo reportagens com crianças que presenciaram o fato absurdo, parentes e vizinhos; ou seja, as inúmeras pessoas que por ali passaram ou de alguma forma fizeram parte do acontecido. Isto é fato!
No entanto, vejo que essa tal "cobertura" foi carregada de um sensacionalismo peculiar, fazendo desta tristeza em um rentável produto, que deveria ser comprado por todos, nós, espectadores.
Então dai, faço-lhes a pergunta, que não quer calar: Qual deve ser o papel da mídia na sociedade?
Fazer-se de situações lamentáveis para se promover? Usar de crianças que acabaram de presenciar o terror na própria escola, e assim ter um depoimento que terá mais credibilidade?
Então, senhores: O que fazemos? Compramos tudo que nos é vendido pela televisão?
Isto é fato!
Sem dúvidas, o que vimos nesses dias, foi horrendo, a morte dos alunos da Escola Municipal. Mas se deve, tirar dessas situações opiniões críticas, pois do contrário continuaremos vítimas de um sistema que, também, nos mata a cada dia. Um sistema que faz o que quer, sem qualquer piedade.
Isto também é um fato! Ou era business, business!

(Monique Ivelise)

Raphael Saadiq - 100 Yard Dash

sábado, 2 de abril de 2011

Era uma vez uma realidade escondida

Quando você menos espera que aparece a maiores lições de vida, em uma pessoa que você mais critica. Um sujeito qualquer, de uma rua qualquer.
Um dia, da semana passada, estava esperando ônibus para casa, depois de dar aula. Havia um senhor próximo de minha pessoa. A primeira impressão que tive deste homem, não foi tão boa, admito. Devido os seus trajes, o seu harmonioso bafo de pinga e seu olhar estranho. Tenho que admitir que estava com medo e trajada de um pré- conceito peculiar, infelizmente.
Continuando, estava somente eu e o senhor no ponto de ônibus. Após alguns minutos, já com a demora do ônibus, o senhor dirige a palavra a mim, então se inicia uma pequena conversa. Primeiramente falamos sobre as linhas de ônibus e seus respectivos horários. Depois, ele me contou que estava indo para uma fila para um atendimento médico, que seria somente no outro dia. Ele disse que iria para essa fila, por que tinha prometido a uma vizinha, que a ajudaria. Comecei a desconstruir a impressão que tinha sobre ele. Então daí, disse que tudo que possuía era ganhado, e não tinha precisado comprar nada até hoje e tinha muito orgulho por isso, e só tinha a agradecer à Deus por todas as coisas que conquistou até a data. Fiquei impressionada, como aquele senhor tinha tanta alegria em seu coração, e apesar de ter tão pouco, pelo menos pra mim era. Aquele senhor com suas roupas e sua cobertinha, que serviria de abrigo para madrugada mordaz que se aproximara. Aquele senhor, feliz que poder ajudar um ente querido da sua maneira.
Então começamos a realmente conversar, ele falou que perdeu sua mãe com 5 anos e seu pai, com 5 anos e 1 mês. Apesar desse fato triste, ele sempre permanecia consigo seus pais em todos os dias de sua vida, lembrava a cada momento. Seriam eles, segundo o próprio, que fornecia essas coisas, desde sua casa que morava, que não paga aluguel, seus presentes, e principalmente, sua vida.
Vocês devem estar imaginando o por quê de escrever isso.
Foi só mostrar-lhes, o quanto nós reclamamos da vida, totalmente à toa; o quanto nos prendemos à pré- conceitos tão bem construídos, sem ver que a realidade é feita dessas todas contradições que teimamos em tampar. São exemplos comuns, como esses que tiramos essas máscaras.

(Monique Ivelise)

sábado, 26 de março de 2011

Identidade

O meu rosto não condiz com as demais,
O meu pensamento, apenas uma fonte.
Pra onde vamos?
O que somos?

O que há de comum?
Entre as pessoas, uma nação.
Uma voz?

Digo, sou fragmentada
Sou divorciada de meu nascimento,
de minha raiz, de minha dança.

Construo meus passos,
sem que eles sejam iguais,
sem que eles sejam diferentes.
O que sou?
Somos?
Fui?

Minha identidade,
perdeu o registro,
perdeu o sabor tupiniquim.
Sobraram os números que
arrastam a história.
Sobrou a pertencimento perdido,
teorias e desmandos.

O que sou?
Somos?
Era uma vez...

(Monique Ivelise)

Pal Norte (Ft Orishas



Unas piernas que respiran...
veneno de serpiente...
por el camino del viento...
voy soplando agua ardiente

El día a día ha comenzado entusiasmado y alegre
dice... Pasaporte


Tengo tu antídoto... Pal' que no tiene identidad
Somos idénticos... Pal' que llegó sin avisar
Vengo tranquilito... Para los que ya no están para los que están y los que vienen (x2)

Un nómada sin rumbo la energía negativa yo la derrumbo
Con mis pezuñas de cordero me propuse recorrer el continente entero
Sin brújula, sin tiempo, sin agenda...
Inspirao por las leyendas
Con historias empaquetadas en lata, con los cuentos que la luna relata aprendí a caminar sin mapa...
A irme de caminata sin comodidades, sin lujo... protegido por los santos y los brujos...
Aprendí a escribir carbonerías en mi libreta y con un mismo idioma sacudir todo el planeta...
Aprendí que mi pueblo todavía reza porque las “fucking” autoridades y la puta realeza... todavía se mueven por debajo' e la mesa... aprendí a tragarme la depresión con cerveza...
Mis patronos yo lo escupo desde las montañas y con mi propia saliva enveneno su champaña...
Enveneno su champaña...


Sigo tomando ron...


En tu sonrisa yo veo una guerrilla, una aventura un movimiento...
Tu lenguaje, tu acento... Yo quiero descubrir lo que ya estaba descubierto...
Ser un emigrante ese es mi deporte...
Hoy me voy pal' norte sin pasaporte, sin transporte... a pie, con las patas... pero no importa este hombre se hidrata con lo que retratan mis pupilas...
Cargo con un par de paisajes en mi mochila, cargo con vitamina de clorofila, cargo con un rosario que me vigila... sueño con cruzar el meridiano, resbalando por las cuerdas del cuatro de Aureliano...
Y llegarle tempranito temprano a la orilla...por el desierto con los pies a la parrilla...
Vamo' por debajo de la tierra como las ardillas, yo vo'a cruzar la muralla... yo soy un intruso con identidad de recluso... y por eso me convierto en buzo... y buceo por debajo de la tierra...
Pa' que no me vean los guardias y los perros no me huelan... abuela no se preocupe que en mi cuello cuelga la virgen de la Guadalupe...


Oye para todos los emigrantes del mundo entero... all' va eso... Calle 13

(OFF) Esta producción artístico-cultural hecha con cariño y con esfuerzo sea como un llamado de voluntad y esperanza para todos, todos..