domingo, 15 de setembro de 2013

Milton Nascimento & Lô Borges - O Trem Azul

Bom dia

Os meus passos já não são mais controlados,
voltou a primeira marca,
voltou para última lágrima.
Ainda, relembrando, meias páginas.

Minha voz ficou rouca,
sem nada.
Sem dono, ficou falha.
Fez a tentativa de soltar uma onda,
sem qualquer sucesso.
Fez de nada, para nada.
Ouve, sim, as músicas
que escolheram para minha entrada.

Como se faz?
Como chorar, se poucos segundos se passaram?
Como sorrir, se nada plenamente foi concebido?

Obrigada.
Por voltar e depois dizer um adeus.

(Monique Ivelise)

domingo, 18 de agosto de 2013

Diretas

Tantas intenções
tantos olhares
e um ponto final
antes do fim do período;

Tantas letras,
tantos sons
e apenas um conto de fadas.

O que era meu,
seu foi;
o que eu queria,
não se fez;
se soubesse,
leria meus pontos..

Da próxima,
seria apenas alguns acentos,
um pouco, quem sabe,
de malícias...

Será este, apenas um convite,
será aceito, enquanto lerdes minha aposta.
(no melhor sentido da palavra)
Digas apenas um sinas
ou vires seu mirar,
mas o faça para que o saiba,
assim eu o esqueça.

Apesar de querer minhas melhores intenções,
mas o teu apesar.

Digas uma resposta,
apesar do não;
digas um não,
mas o faça.
Eu lhe quero.
apesar dos pesares,
Não a negra exemplar,
mas sou a exemplar.

Dê-me um resposta,
já que digas que lês meus pontos.
Diga-me um ponto...
Antes que fujas para outras cartas...
apenas fales...

(Monique Ivelise)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Passagens indiretas

O seu estranhamento é a causa da minha dúvida.
De longe, entre metros,
desvia o som.
Entre metros, um sorriso
dividido em duas bocas.

De um lado, o branco
o outro, o preto.
De um lado, os violinos;
os outros, os atabaques.

Sou da rua oposta;
penso no torto,
no vazio.
E você, na Coca-cola.

Não ideologia
em palavras cortadas.
O que resta
é um pleno de encanto.

(Monique Ivelise)

domingo, 28 de julho de 2013

Aparência

Um toque feito borboleta,
daquela que voa sobre o encanto,
flutua sobre a saudade.
Um toque, um pleno pequeno momento.

O sopro,
discutido entre as esferas
do prisioneiro cantante
e o calado algoz.
Mente por natureza,
desliza por loucura.

Canta, meu aprendiz;
Chora e dança,
como se fosse uma brincadeira.
Lança sobre sua roleta,
pesca sua sorte.

Vá meu jogador,
saia de mim.
Sou o seio mais gelado,
que pousaram seu sono.

Ainda estou acordada,
pois os delírios já não fazem parte
dessa história.

(Monique Ivelise)

Lianne La Havas - Full Concert (Live At iTunes Festival 2012)(HD)

Serenata

A pobre,
digna de uma pele que não é a sua.
Cobre teus prantos,
enquanto brinca nas festas
dos sambas apagados.

A pobre,
que cantas as marchas,
colorindo os véus dos velórios,
apaga sob o signo da estrela.

Oh pobre cantada,
não foi virada, foi sorteada
entre os grandes mestres.
Por erro, parou em frente a sua janela
que ainda estava fechada.

Oh pequena colombina.
Não se faz sambas como antes,
pois os tambores se rasgaram.
Pequenas e pobres
não são histórias mais contadas.

(Monique Ivelise)

Sanos

Morreu
as vertigens,
os sonhos.

Já não faço verso como antes,
virei a esquerda na esquina.
A água já não cobre a pureza,

ainda permanece meio turva.
A minha macuinez restou nesses pingos.
Não é água, não é que

fere teus potentes desafios
não é o que faz atrás das cortinas,
aquilo que embeleza a moral senhoril,

aquela que se pede às 2 da noite,
enquanto os humildes dormem.
Não foi você que rezou durante minha morte?

Que torturou a insensatez?
Então, por que prendes a onda?
Prendes o som?

Prendes o torto?
Morreu a morte,
pérfida morte das lágrimas.

Viraram a esquerda,
sem esquecerem que ainda era uma direita.
A água limpou-se mais.

Prendes ainda o torto?
Prendes meu sonho?
Morreu sim,

Sem pretensão de voltar.

(Monique Ivelise)  

Branco

Sempre estive só
ao circo romântico.
Sempre fui acompanhante de luxo
do senso comum.
Mantive aberta aos mais estranhos seres.
Má, para alguns;
reticente, por centavos.

Conhecida,
como a carne dura,
que quebra os dentes brancos.
Pura e genil carne,
de fácil venda,
de versado transparente.
Sempre só,
sempre com a nódoa,
que suja os elegantes ternos.
Suja
sempre suja.

(Monique Ivelise)

Seguranças

Até o meu suor é invejoso.
Faz de onde não há certeza.
Fora!
Foi o pensamento,
daqueles que estavam perdidos
em função de uma estrela.
Entre!
Parou de velejar o tempo...

(Monique Ivelise)