domingo, 18 de novembro de 2012

A construção de rosas

O mundo é apenas um moinho.
Cheio de ventos desvalidos,
cheio de ventos calados.

Formados de rosas do fim do verão,
do calmo perfume roubado.
Assim acabando com os tristes olhares do estranho poeta.

E assim, a sorrir cumpro meu papel
de mocidade perdida.
Em favor de minhas letras,
ainda hei de amar.
Para não me calar em teu lado.

Deixe-me ir, sorrindo para não chorar.
Deixe-me ir, meus olhos já não fazem poesia.
Deixe-me ir, pois o mundo é apenas um moinho.
Preciso andar e procurar o nova velha poesia.
Procurar a alvorada.

(Monique Ivelise)

Cartola e seu Pai - O Mundo é um Moinho

domingo, 11 de novembro de 2012

Capítulo apagado

Foi uma grande violação,
as tuas costas ardidas
pela digna prostituição de tuas lágrimas,
da tua metida fraqueza;
que chora alegrias
sem saber que era promoção,
a mais alta promoção.

Calei minhas esperanças.
Hoje sou um descaso social,
sem sorte.
Peço por misérias,
por responsabilidades.
Calei-me e peço por abusos.

Já fui a puta, devido minha pele.
Hoje vivo, a cuja responsabilidade de um tráfico.
Hoje sou uma qualquer,
em desequilíbrio constante;
Sou uma qualquer.
Vou virar para rua
e reconhecer um novo
jeito de viver.

(Monique Ivelise)

domingo, 28 de outubro de 2012

Coleção de ventania

Serão preciso ainda mais algumas pétalas,
para alguém se arrisque viver.
Um sonho, para tornar-se em perdão.
Uma nota, em uma canção.

Serão precisa mais lágrimas,
para contornar a minha mensagem
ou quem sabe um novo alvorecer

(Monique Ivelise)

domingo, 14 de outubro de 2012

Sopro

Já não há nada
que vele o passado,
senão o vento soprado

a busca de dentes de leão
sob o ar.
A busca de novas pétalas
e quem sabe,
uma nova amizade.

(Monique Ivelise)


domingo, 23 de setembro de 2012

Tudo termina em samba?







Quantos massacre mais serão necessários para mudar algumas atitudes?
Só viveremos se algum noticiário fazerem o favor de mostrar algo?
Olho por olho? Dente por dente? Vida por vida?
Vinte anos passados do Carandiru, alguns dias da Favela do Moinho.
Será que ainda tudo termina em samba?
Queria dizer que sim.

O que fez?

Sou vista como a terra dos tamborins e dos repiques,
onde se dança contra tudo,
se desvia do inevitável.
Marcho por batuque cordiais,
conversar cordiais, homens cordiais
e máscaras cordiais.

Ainda assim, sou vista como a dançarina
de moles partes,
que visita as casas dos senhores, sempre cordiais,
a busca dos restos da problemática.
O meu fim foi colocado em bancos,
a espera de uma nova viagem,
em novos entres.

O que faz disso?
Uma permanente construção de hábitos.
O que se faz?
Um violão, um repique, um tamborim.
Um chão, um povo, uma terra.

Novamente: O que faz disso?
A chacumdada de um mestre,
a língua dos matreiros,
o futuro inexistente.

Novamente:
O que faz disso?
Ainda assim tudo termina em samba?

(Monique Ivelise)