terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Saída


Comprei rezas sem saber
que eram maneiras
de ser produto da senhora
poderosa imaginada
e cansada, verde capineza.

Fui por bares, bebendo ópio.
Caindo por tabelas,
recitando poemas de caminhoneiros.
E saindo assim,
uma perfeita venda
de jornais econômicos.

Então, conquistei o poder
que estava nas mãos de damos,
e fui lavar meus pés sujos.
Sem querer, encontrei rendição;
Sem saber, tapei a cara do pequeno;
sem morder, comi as migalhas das sarjetas.

Cuspiram na minhas unhas.
Em contramão, assassinei
as promessas de minha origem,
ao saber que era pra ser uma
simples religião seguida por
pobres passantes.

(Monique Ivelise)

Sem nota


A lira das canções
se foram em busca
de novas sinfonias,
sem saber que estas
estavam ocupadas,
entretendo
os vermelhos cheques.

Os teus sonidos
se desfarelaram diante
a corridas de minhas notas.
Clavejos por tua importância esquecida,
que agora brinca de poetizar
palavras comuns,
e meio clichês,
sobre os que falam que era
amor.

Falaram de espera de claves.
O que se deu:
inúmeras tonturas,
que se fingem
de alguma coisa.
E foram assobiando
pelas calçadas acabadas.

(Monique Ivelise)

domingo, 25 de dezembro de 2011

Um louco e ritmado...


... período (natalino)
sem assim esquecer a propaganda
que se faz deste momento.

Renove-se no pior sentido da palavra!!!

(Monique Ivelise)

sábado, 10 de dezembro de 2011

Diálogos de rua


Qual tua intenção, querido,
quando passa pela rua
e me fala as tuas tonterias?
Quando ao me ver,
deseja o meu corpo,
e elogia minha pele.
Que em dias de feiras,
servem para limpar
o teu vaso de obscenidades.
Em dias chuvosos,
permanecem na calçada fria,
em espera de uma moeda pequena.
E tu, querido, passa sem sentir,
sem o mísero entortar de pescoço.

Qual o teu desejo, quando olha pra mim
e saliva, ao dirigir teu olhar para meu corpo?
Se em momentos de rezas,
pensas em santas claras de rosas concebidas.
Se em diálogos,
não me dá a vez,
apenas pede que compre
o desinfetante mais barato no mercado.

Qual é, realmente, o teu desejo querido,
ao me descrever como o sexo quente?
Se sirvo de potra,
de reprodução para tua fazenda.
Ao pintar novos funcionários
para teu incrível estabelecimento religioso.
Não é verdade?

Então, me digas, querido:
depois desse gozo reprimido que tens sobre mim,
sobre meu corpo, o meu cabelo, e de minhas unhas,
como ainda transforma minha primavera,
na última esperança de minhas palavras?
Se faz do meu lugar, a vítima do meu abuso,
ao ver as únicas coisas brancas que existem em mim:
o fundo dos meus olhos.
Então querido:
me ofereces a promoção do dia?
Ou eu mesmo a roubo?

(Monique Ivelise)

Ideologia transparente


A escuridão da pele se dá conta
que foi afastada de outros tons,
de outras personas,
de outras mentes.
Fazendo dela, um sujeito sem cor
de discurso.

Em contramão,
transformou a sua rebeldia
em uma afiada lança,
também contaminada
de pensamentos inocentes imbecis.
Em contramão,
verificou a maldade da clara derme,
que foi brincar de casinha.

Em contramão,
se fez de ossos,
e foi a procura de vozes.

Foi a pele da escuridão
e criou a ideologia,
que hoje é utiliza em manuais
de sociologia.
Criou e não recebeu nenhum
por prestígio.
Apenas pensou, os outros,
que era repetido,
a pólvora de fora.

(Monique Ivelise)

sábado, 3 de dezembro de 2011

Despedidas


Eis o último suspiro realizado,
a última lágrima,
o último desejo.

Eis as trovas de carinho,
de servil encanto.
Os poemas de amor queimados.
Os links de histórias sem fim.

As últimas, mas ainda palavras
doces e aguadas.
Clichês permanentes
de um discurso obsoletidinados.
Mesmo que não desejados,
acompanham toda escrita de despedidas.

Então:
Vá fingidora...
Seduza o teu capataz
e seja louca na vida!!!

(Monique Ivelise)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Uma vez, sempre

Por estrelas douradas, fazem seu brilho.
Por rubra cor, a ousadia.
De negro, a garra daqueles que sempre utilizarão o sorriso.
Em seu hino se faz o sonho
de incansáveis torcedores.
Do choro da derrota,
o motivo da guerra da vencida.

Não foi a bola que te fez,
mas as águas de louvor,
que te conceberam.
Assim, de tua mistura,
foram criados as pessoas mais felizes,
mais guerreiras, mais valentes.

O teu escudo é a malemolência
dos inteligentes,
e teu hino, o conforto aos ouvidos.

Se hoje é secular,
amanhá sera milenar.
Ao coro:
Uma vez, sempre Flamengo.

(Monique Ivelise)


Parabéns pelos 116 anos!!!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Invenção de heróis



Um dia uma criança já deve ter falado que queria ser igual ao Super-Homem, poder voar, salvar vidas, com sua capa vermelha. Ser um herói de quadrinhos, herói de uma nação.
Todos os dia, nossa boca criar novos heróis e mata os vilões. A cada momento, a cada instante, a cada minuto.
Todos os dias aparece na televisão, histórias das mais diferentes, mostrando a descoberta da medicina, ou o que usar no próximo verão, ou mesmo a vaquinha do Seu José que dança a macarena.
Também aparece complexas e maravilhosas operações policiais em comunidades, como é o caso atualmente. Entre fuzis, 12's e estilingues, uma coisa de louco. E também há um discurso poético, M A R A V I L H O S O, por atrás. Eis que surgem os heróis da pátria de bananas.
Eliminando todo o lixo para fora, como deve ser feito todos os dias, sem cerimônias. Aqueles que trouxe a salvação para vida de todos nós, leitor e telespectadores das 21:00.
E agora Cabral? Já resolveu o teu enigma, quando descobriu a Ilha de Vera Cruz?
E a ralé? O que sobrou pra mim poeta? O que se faz com a miséria, com a fome, com o desemprego, com a falta de poesia nas cidades? Já voltamos a ser cartão postal com o SuperMan ao lado?
Temos os nossos heróis e esquecemos a memória, somos felizes, jogamos futebol, logo após sambamos até a madrugada.
Somos o povo feliz e cordial, dos quadrinhos.
Somos a massa exótica, que voa e acredita em Peter Parker.
Vendemos todos os dias as nossas bananas para caveiras de canivetes.
Reproduzimos a diferença social, matamos Jesus Cristo e bebemos em Copacabana, martines e goiabas.
Olha para a favela agora, meus queridos, veja se o teus heróis estão lá, se houve UPP's necessárias (União de Políticas Públicas).
Diga meu herói, você vai abrir a janela e dar as esmolas?

(Monique Ivelise)

Entre raios e perfumes


Se hoje cuspo raios e trovões
Foi por que um dia
comecei a recolher raios de sol,
chuvas ensolaradas.
Plantei pequenas gotas
de lágrimas,
de diversos momentos.

Se despejo tornados,
maremotos e tufões
em teu favor.
Por que um dia,
aprendi a rezar pequenas ondas.
Comecei a manipular
pequenos remédio
sem sabor.

Cozinhei chuvas
sem sal,
sem tempero.
Eis que se fez as tempestades.
Separações e emulsões
de alecrim.
Juntamente com alfazema,
que se converteu em sândalo.

Ao assar as tuas palavras,
destinadas a outras,
aprendi como as fragrâncias
nascem e também,
como se gera os fenômenos naturais.

Ao magicar os ritmos,
me fiz de rogada,
me fiz de pura,
de santa.
E cuspir aquarelas negras.
Ao magicar,
me consumi em cheiros de ralo,
de esgoto, de peixe.
Ao magicar os sonhos,
tornei-me sem conjugação.
Apenas um raro exemplo
de exceção.

(Monique Ivelise)