sábado, 3 de setembro de 2011

Destruição


Acabaram-se os planos,
as tentativas de viver.
O juízo já não me prende,
não mais.

Acabou o pensamento,
e todas as teorias.
As longas teorias que
explanam de alguma coisa parecida
da chamada realidade.

Acabaram os sonhos,
a ilusão do perfeito.
Também as luzes das ideias.

Acabou a menininha,
com meiguice singular,
cheias de planos e sonhos.
Se fodeu na vida.
Agora é mais conhecida
como a desconhecida.
A tal assaltante
das quebradas.
Acabou-se.
Finalmente foi viver.

(Monique Ivelise)

domingo, 21 de agosto de 2011

Um nome

Queria dizer um nome,
mas minha vida não deixa.
Aquele que não posso falar,
aquele que só posso ser nada.
Aquele que vive,
em órbita ancestral,
sem ligação com a Terra.

Queria que esse nome,
acordasse pra realidade.
Esse que não tem sobrenome.
Sem família.
Sem posse.
Apenas um nome.

Que faz de mim,
um esteriótipo de poetiza,
que vive triste,
por nunca alcançar a alegria.
Apenas idealizadora,
que vive em função da espera,
somente da espera.
Espera,
espera,
espera...

Apenas um nome,
e muitas esperas....

(Monique Ivelise)


sábado, 20 de agosto de 2011

Fotografias envenenadas


Amanhã verás em meu retrato,
que posso ser mais que
uma senduzante,
de teu lábios.

Verás olhos diferentes
dos meus.
Verá uma boca,
daquela que beijou.
Verá mãos mais firmes,
do que aquelas que te acariciaram.

Em meu retrato
pega fogo de ironias.
Pega sua inocência,
quanto aos atos idealizados.
E com ela,
brinca de interessado.

Poses,
pistas são.
Enigmas talvez.
Poses,
assassinatos da fé.
Trucidações de tuas palavras.

Amanhã, quando verás meu retrato.
Sairá mais confuso que antes,
e muito mais envenenado.

(Monique Ivelise)




sábado, 13 de agosto de 2011

Vai entender

Se veio, não vi.
Se cantou, parei.
Se beijou, cuspi.
Se acariciou, manipulei.
Se comeu, envenenei.
Se morreu, parti.
Se voltou, rezei.
Se pedi, quebrei.
Se encarnou, salguei.
Se insistiu, macumbei.
Se desistiu, chorei.

E quis tudo de volta.

(Monique Ivelise)

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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

E agora doutor?



Com licença, digno senhor
por acaso tens algum trocado,
pois tenho família,
que não tem nada para comer.

Estou aqui,
pois a vida não foi nada fácil pra mim.
Tive que comprar palavras duras,
tive que engolir todas metáforas
do seu mundo.

Alguns, quando me escutam,
acham que tenho uma linguagem bonita,
porém esta só a faço
como forma de aparecer
para senhores como tu.
Sei que essa é a única que
finge ouvir.
É a única que finge devorar,
pois sei que tu,
é um grande analfabeto
de palavras.
Como eu, sou de comida;
de oportunidade.

Então doutor de traje ternado,
tens alguma ajuda nos
teus bolsos?
Uma moeda que seja
que gastaria com a compra
de uma alma.
Vou agradecendo,
por minha sina,
de descobridor de palavras.
Vou amaldiçoando,
a tua pena,
que poderá sentir.

O que peço aqui
é um pedaço de pão;
não um ensinamento
de Chacal.

(Monique Ivelise)

domingo, 7 de agosto de 2011

Se foi a intenção...


As entre-linhas já não são necessárias,
pois os motivos já sumiram.
As iniciativas também.

Os encantos se foram juntos
com o correio.
Se foram para um lugar desconhecido,
através de um remetente invisível.
Apenas se foram.

As meias palavras estão sendo apagadas,
por meio das ações também apagadas.
Estão indo embora em busca
de novos sentidos incompletos.
Em busca, quem sabe,
de novos suspiros
de novas paixões.
Longe das amizades pueris.
Longe de tudo que é concebido,
por minutos intencionados.
Longe de uma história que
se fez apenas nos meus
sonhos.

(Monique Ivelise)

Vende-se alegria


em pequenas parcelas de tristeza!!!

sábado, 6 de agosto de 2011

Meros detalhes

A minha história não se faz
de acontecimentos,
mas de luzes.
Aquelas que se acendem
caso uma loucura se guie.

A minha história não se faz
de números,
mas de letras romanas.
Que estavam na sua boca ao acordar.

A minha história se faz
de gases
para ferimento.
As tais encontradas
em qualquer pronto-socorro.

Se fez de ataques,
de expulsão,
de exclusão.
De ões sem aumentativos.
Sem sentimentos.
Apenas comentários.

(Monique Ivelise)