terça-feira, 4 de novembro de 2014

Cartão postal

Enquanto durante as noite revela teus segredos
Ao raiar do dia, tapa as palavras
como se fossem pequenos defeitos
que teus legiões nunca poderiam saber,
coisas que o fazem modelo de uma ideologia qualquer.


Em contramão, o meu peito se afasta
dança ao contrário da sua presença
esperando ter a coragem de ir embora.
Ainda fraco, um dia vai
pois não aguenta o teu medo internacional
Vai, querendo ficar
mas ainda vai.

Continuar será o seu destino?
Permanecer, a tua cruz?
Fique, o medo te acompanha.

(Monique Ivelise)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Pertences

Não tenho um dono
e nem espero mais que um copo d'água
não dá mais um sinal
de minha covardia
em verso e prova
de nada que me liga ao resto

passo adiante
na marginal
no mero acaso
não ser nada.


(Monique Ivelise)

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Espera

Ainda espero as mesmas palavras dos finais
algo seja comumente objetivo
não nada que
nada falado
dividido entre outras conversas
ou algo assim.

Apresento-lhe uma maneira
mais fácil de se pensar
o mais nada entre os demais

(Monique Ivelise)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Artigo de promoção

Há coisas que sei
mas não as pronuncio
sob a intenção de não perder
o pouco nada que tenho
e faz um tanto de reações
nos fios de cabelos
Como se fosse um ataque aos dedos
já que não se faz
os seus modelos
como quer comprar
 no mercado mais barato
da sua pequena cidade

(Monique Ivelise)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Vício

A minha fúria tornou-se bebida aos lábios.
Algo que não mais rejeita a minha fome.
Aquele vício de fazer
o que mais dá vontade.
Meu sangue,
minha jugular
meu monte.

Vire-se para esquecer
E deseje as picâncias da minha pele.
Acomode-se como quiser.
Leia a direita.
E lambuze-se disso que você mais sonha.
Faça desfazendo a força sobre.

(Monique Ivelise)


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Um minuto

Às vezes só é necessário
dar continuidade as palavras, 
ditas durante a noite.
Aquelas que sugerem
as mais quentes provocações.

(Monique Ivelise)

domingo, 21 de setembro de 2014

Chamada a cobrar

Me faço pela escuridão,
quando já não é possível mais sentir a dúvida
sentir a espera das noites
algo que se faz mais pelo inverso
do que confronto.

Amanhã já não será tarde
para imaginar as folhas
para sonhar com as cores
de qualquer imaginação
só assim

Volta assim minha pessoa,
ao pensar as histórias de sua falta.
Volta, então, aquela falha vontade
de invadir os pensamentos mais inquietos
em busca de algo consolador
ou apenas para matar o tempo.

(Monique Ivelise)

sábado, 20 de setembro de 2014

A sua espera

Faço agora para aqueles que não me veem,
não me reconhecem, não leem
nada faz da minha vontade
esta que fica ao redor do nada.

Fazia antes, para aqueles sonhavam com a figura
de algo que vendi meu
vendi como fosse meu
dei como era emprestado.

Ainda espero silêncio
algo que a mais
de um perfeito sonho,
algo em vão que já constroe os mesmos sonhos
as mesmas sertanias
algo maior que falo
ao pé de meu ouvido ressentido
e assim já é nada

(Monique Ivelise)

sábado, 13 de setembro de 2014

Uma última forma de cantar

Sobre os assobios
nada sei dizer,
nada encontrei para falar.
Procurei nas noites
uma forma de esconder
minhas cores púrpuras.
Vivia de ocasiões diversas,
de quase certas certezas
e iam de um canto ao outro.

Não saberia lhe dizer qual seria
o destino das flores ao ar;
do toque na boca
e da sensação das chuva nos pés.
Tudo isso, seria apenas um ponto de vista cego
calcado na expectativa de um verão.
Em, quem sabe, em uma moda de violinos noturnos,
que se fazem quando todos já adormeceram
e não há quase silêncio da multidão.

E assim sobrou uma maneira de ver as suas sentenças,
algo já acabado.
Restou, uma certeza de que o nada é mais forte
que a mais decisiva atitude de pensar.
Só não sei dizer essas coisas
sobre os assobios da madrugada.

(Monique Ivelise)

domingo, 31 de agosto de 2014

Feito pela manhã

É através do dia após
que se fazem as verdades,
aquelas que querias me dizes
durante a noite.

É só através do silêncio
que se faz o medo,
se faz a sorte
e se faz o açúcar.

É já não é mais infinitivo,
muito menos infinito,
mas leves momentos
de algo parecido com o nada.
E nada mais será dito
do através,
pois ele já não passa recados
como no início da nossa aventura.

(Monique Ivelise)