segunda-feira, 21 de maio de 2012

Vou te falar...

Vou te falar:
as palavras já não são as mesmas,
os atos já se foram
atrás de algo melhor.

Vou te falar:
as intenções são diretas, objetivas e infalíveis.
Não vão mais por um caminho tortuoso,
obscuro,
esperando a resposta.

Ainda vou te falar:
o que espera por mim, é a completa demonstração
de falida instituição de sorrisos.
O que espera por ti,
um despejo de ameaças,
completamente malucas.

Vou te falar:
Deseje o mais completo absurdo
e queira ainda mais.

(Monique Ivelise)

domingo, 13 de maio de 2012

Paredes caladas





Caladas em meio da multidão e um brado no sentimento

Correntes contemporâneas

Já se passaram 124 anos, desde o dia que que se desfez um dos maiores enganos mundiais, assumindo a imbecilidade de prender pessoas e torná-las escravas, em favor de um bem que não foi divulgado.
Ainda dura, em meio do século XXI, as amarras que prendem esse país sem ordem e progresso em uma máscara.
Não devemos comemorar uma data, que nunca deveria ter acontecido nessa terra de Cabral. Não devemos comemorar uma data, se ainda somos escravos de alguns donos, mesmo que não queira que se ver.
Um dia sim para ser lembrado, como aquele que alguns se deram conta do erro cometido, como amostra do modelo fingido.
Um dia que deve ser lembrado em sinal de nosso sangue, em sinal do nosso futuro.
Vivemos em meio de correntes, muito mais fortes e resistentes, que as primeiras. Correntes soldadas com nossa arrogância de pensadores de gelatina. Perpetuamos ainda mais nosso descaso, a imensa vontade de eliminação dos diferentes.
Se hoje é um dia que representa a liberdade, ainda que entre aspas, de um povo migrado; fez-se até então a prisão, devido o que nos foi servido em bandeja de cristal: o nada como herança.
Sim, foi oferecido os restos, as migalhas, que caíram da vossa boca ao mastigar suntuosamente. Sim, foi oferecido as amarras como a fotografia infantil, que relembra os tratos com a minha gente. Sim, foi oferecido a imagem "natural", propaganda de um qualquer em nosso favor.
Finalmente, sim, foi oferecido aos meus, o sangue como forma de explanação; um discurso que alguns acham passado, igual e completamente monótono.  Hoje só foi oferecido a mim as mesmas correntes e um calar de voz.


(Monique Ivelise)

sábado, 5 de maio de 2012

Fotografias

Ao falar, vejo que as órbitas já foram feitas,
as expectativas programadas e
os quadros apagados.
O que sobra é um tipo e melhorado jeito de tentar
entender todas as ações do seu dia-a-dia,
aquilo que te faz pensar nas estrelas.
Como faz para dizer as idiotices do seu cotidiano,
ao brigar com seus amigos na porta do bar.

São apenas suposições,
ao reconhecer o seu tipo de pele,
como faz para dormir em dias de chuva e
quando acorda em dias de sol.
São apenas suposições enquadradas
em 10x15, ao saber o seu lugar de meditação,
quando sente-se uma lágrima, ao rolar em seu rosto.
Ainda suposições, ao fazer hinos de salvação
para os infiéis, das calçadas frias;
também, quando tocas no príncipio
da modernidade tardia.

Faço aqui é inventar uma vida de personagem cinematógrafico,
para ti, suas aventuras nas ruas desalmadas.
Faço neste local, danças da chuva,
esperando novas estações;
para quem sabe um dia lhe revelar,
em papel novo e transformado em sementes mortas.
Faço aqui neste lugar,
esperar que tome vida,
para quem sabe não mais trabalhar.

(Monique Ivelise)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Progresso aparente

Cada vez que o tempo passa e a globalização avança, juntamente com um discurso de liberdade e fraternidade, em contramão, o mundo fica mais tradicionalista, mais repressor e muito mais perigoso.
Mais se sente preso a convenções tortas, que não fazem mais que trancar os avanços que muitas pessoas correram atrás, por um longo tempo.
O ópio do povo não é mais somente a religião, mas a imagem que foi construída de vida. Aquela do qual toda a diferença deve ser eliminada e tirada de cena. Assim, pintar um quadro perfeito, da casinha no monte com as arvorezinhas ao lado. Aquela que as pessoas devem ser totalmente iguais, de cabelos, olhos e visões iguais.
Será que estamos construindo, com isso, um "novo e melhorado" tipo de ditadura?
No entanto, uma ditadura que não se desfazerá com 20 anos, com pólvora e desaparecimentos de corpos, e sim pela exclusão do uso da palavra e de sua força linguística. E sim pela exclusão da visão, da vontade de comunicação segundo seu próprio modo.
Tenho medo pelos meus iguais e principalmente pelos meus diferentes, se daqui algum tempo não for mais possível sonhar.


(Monique Ivelise)

Rouge

Meu batom não atinge as suas órbitas,
meus olhos pintados de negro não captam a sua intenção,
apenas querem algo já pronunciado por ti.
Querem o sussurro atrás da orelha,
ainda que há distância.

Esse mesmo batom quer se espalhar
entre as serenatas repicadas.
Quer manchar suas camisas de trabalho,
para que quando chegue em casa as lave com piedade.
Quer fazer propagandas na alta circulação,
do último fato contravertido.

Já os olhos pintados,
querem absover as lágrimas de seu pranto.
Fazer a cama, que escolhe ter prazer.
E limpar a mesma cama, quando sai correndo,
para novamente ultrapassar a barreira do espelho.

Mesmo sendo, apenas, uma fantasia;
de dias de chuva ou de cansaço.
Uma fantasia que cultivas como fosse real,
para agradar algo já decidido por suas mensagens.
Apenas uma fantasia de carnaval,
usada quando todos já foram dormir,
feita com todas as características de sua célebre reclamação de macho
perpetuador da classe.
A fantasia que se pinta de rouge,
para quem sabe um dia se postar a sua frente
e dar-lhe apenas um não fantasioso.

(Monique Ivelise)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sentenciada

Por um dia, fui a princesa dos reino dos arco-íris;
lugar onde todos eram felizes, sem qualquer preocupação,
sem qualquer perigo eminente para os que pensam demais.
Lugar de carinhos visíveis, onde as crianças se alimentavam de sinfonias molhadas,
e despejavam ondas de coloridos e assim saiam amplamente musicados.

Por minutos, era uma meretriz da nação culturalizada;
parada em um poste qualquer, de uma rua qualquer
em qualquer momento.
Rebanhado por médias postagens mediadas, de acordo com a tabela recente.

Caminharam com a verdade, que por muitos desmestificada e totalmente relativizada.
E eu? Fiz de nada para contribuir com a situação,
permaneci isenta das opiniões gerais das ruas e de suas pinturas na parede.
Pinturas sem contornos exatos, perfeitos protótiposda sua inspiração.
Nada fiz para a exata situação que se iniciara.

Chamei os muleques para a tal chamada revolução,
do pequeno povo de cantos abaixados, na frequência maldita fm online.
Por isso, fui sentenciada há 25 anos de prisão, por desacato à uma puta autoridade.
Fui presa com apenas a moeda do corpo, sem direito auxílio advogada.
Nem adiantaria, ninguém acreditaria em meu caso, de amante pervertida.
Ninguém recolheria minhas petálas secas,
ninguém reconhecia algo de saudável em minha pronúncia.

Por séculos, continuei a mesma pelos que me queriam afogada,
sem apelo ao juiz invisível, de um jurí diverso a minha vontade.
Hoje, escrevo essa carta, com a intenção de que ninguém a leia,
e não a faça uma heroína falida e mal tratrada.
Peço ao meu leitor ausente, que propague as notícias falsas e verdadeiros
ao meu desaparecimento de senhora gentil e inescrupolosa.
Apenas uma consideração, faça o favor de ir para o céu dos bobos,
pois o inferno de dante não lhe merece.

(Monique Ivelise)

Chico Buarque - A História de Lily Braun (Carioca Ao Vivo)

domingo, 29 de abril de 2012

O que pensas?


No que você está pensando nesse exato momento?

Onde estão as estrelas?
Para onde foram os sonhos?
Por que as palavras são assassinas?
Por que um ato nunca é bem compreendido?
Por que os estranhos são realmente os verdadeiros amigos?

Por que o céu todos os dias come o arco-íris?