sábado, 13 de agosto de 2011

Vai entender

Se veio, não vi.
Se cantou, parei.
Se beijou, cuspi.
Se acariciou, manipulei.
Se comeu, envenenei.
Se morreu, parti.
Se voltou, rezei.
Se pedi, quebrei.
Se encarnou, salguei.
Se insistiu, macumbei.
Se desistiu, chorei.

E quis tudo de volta.

(Monique Ivelise)

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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

E agora doutor?



Com licença, digno senhor
por acaso tens algum trocado,
pois tenho família,
que não tem nada para comer.

Estou aqui,
pois a vida não foi nada fácil pra mim.
Tive que comprar palavras duras,
tive que engolir todas metáforas
do seu mundo.

Alguns, quando me escutam,
acham que tenho uma linguagem bonita,
porém esta só a faço
como forma de aparecer
para senhores como tu.
Sei que essa é a única que
finge ouvir.
É a única que finge devorar,
pois sei que tu,
é um grande analfabeto
de palavras.
Como eu, sou de comida;
de oportunidade.

Então doutor de traje ternado,
tens alguma ajuda nos
teus bolsos?
Uma moeda que seja
que gastaria com a compra
de uma alma.
Vou agradecendo,
por minha sina,
de descobridor de palavras.
Vou amaldiçoando,
a tua pena,
que poderá sentir.

O que peço aqui
é um pedaço de pão;
não um ensinamento
de Chacal.

(Monique Ivelise)

domingo, 7 de agosto de 2011

Se foi a intenção...


As entre-linhas já não são necessárias,
pois os motivos já sumiram.
As iniciativas também.

Os encantos se foram juntos
com o correio.
Se foram para um lugar desconhecido,
através de um remetente invisível.
Apenas se foram.

As meias palavras estão sendo apagadas,
por meio das ações também apagadas.
Estão indo embora em busca
de novos sentidos incompletos.
Em busca, quem sabe,
de novos suspiros
de novas paixões.
Longe das amizades pueris.
Longe de tudo que é concebido,
por minutos intencionados.
Longe de uma história que
se fez apenas nos meus
sonhos.

(Monique Ivelise)

Vende-se alegria


em pequenas parcelas de tristeza!!!

sábado, 6 de agosto de 2011

Meros detalhes

A minha história não se faz
de acontecimentos,
mas de luzes.
Aquelas que se acendem
caso uma loucura se guie.

A minha história não se faz
de números,
mas de letras romanas.
Que estavam na sua boca ao acordar.

A minha história se faz
de gases
para ferimento.
As tais encontradas
em qualquer pronto-socorro.

Se fez de ataques,
de expulsão,
de exclusão.
De ões sem aumentativos.
Sem sentimentos.
Apenas comentários.

(Monique Ivelise)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Animal sem estimação


Quantas vezes parei no meio da estrada,
esperando carona do desconhecido.
Quantas vezes não dancei até o final,
esperando a sorte de ser acompanhada.
Quantas vezes, não é meu amigo.

Sujei todas as paredes de amarelo,
esperando um raio de sol.
Molhei todo o chão de água,
esperando a maresia.
Quebrei todo o teto,
esperando sentir o cheiro de café novo.

Tornei-me um animal,
onde as lembranças foram embora.
Tornei-me um animal,
onde todas as ações tipicamente humanas
foram extirpadas.
Tornei-me animal,
para alimentar dos restos dos sonhos.
Tornei-me animal,
que desistiu da espera.
Animal sem estimação.

Como não sou estimada,
procurei novas histórias,
novos passados.
Como não sou,
as vezes tornaram completas.
Como não sou,
estou presa às vistas
do público a passeio,
que admira a nova atração.
Como não sou,
virei gente.

(Monique Ivelise)

domingo, 31 de julho de 2011

Palavras

Minhas palavras, cegas.
Meu pastor, morto.
Minha fé, perdida.
Meus sonhos, acordados.

O que me resta?
A noite calada,
sussurrando
uma vida que poderia
ser a minha.
No entanto, não é
e não será.

O que me resta?
Sabotar
todas as trajetórias.
Sabotar
os tais sonhos.
E passar a arranhá-los.
Sufocá-los
Esmagá-los
Fazê-los de comida,
e assim deliciá-los.

O que me resta?
Aplaudir a
triste desaventura.
Aplaudir a voz
da minha cabeça,
que clama por
saudade.

(Monique Ivelise)

sábado, 30 de julho de 2011

Esperas


Espero por uma palavra,
sua, diferentes das outras.
Espero, por um olhar,
diferente do meu.
Espero pelo novo,
um novo de você.

Esperei pelo ferimento,
pelo ataque.
Esperei pelo sussurro
de tua parte.
Esperei pelo desconexo.
Pelo desengano, por encantamento.
Esperei, esperei.

Esperava por atos,
não concretizados.
Esperava por beijos,
mal dados.
Esperava por sorrisos,
por posturas.
Esperava.

As tais esperas
ficaram esperando.
Os sonhos crescendo,
sonhando em um dia,
não mais ser espera,
no coração da menina,
que espera ser feliz,
sem mais alguma espera.

(Monique Ivelise)