sábado, 19 de março de 2011

Cee Lo Green e John Legend vêm ao Brasil em maio


Os cantores Cee Lo Green e John Legend, dois dos principais nomes da soul music da atualidade, vão se apresentar no Brasil em maio. Eles são as principais atrações do Urban Music Festival, que acontece na Arena Anhembi, em São Paulo, no dia 29 de maio.

A venda de ingressos começa no dia 28 de março, com o primeiro lote custando R$ 100. A partir do dia 04 de abril, o preço aumenta para R$ 160. Além de Green e Legend, o evento terá o rapper brasileiro Emicida e o músico americano Afrika Bambaata.

Cee Lo Green ficou famoso como a voz do Gnarls Barkley, do hit "Crazy". No final do ano passado, lançou o álbum solo "The Lady Killer" e fez sucesso com a música "Fuck You".

Já John Legend vem ao Brasil acompanhado da banda The Roots, com quem lançou no ano passado o disco "Wake Up", composto de clássicos do soul dos anos 1970 e 1980.

Essa será a primeira edição do Urban Music Festival. O evento deveria ter acontecido em 2010, com o rapper Timbaland como atração principal, mas foi cancelado.


Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/musica/cee+lo+green+e+john+legend+vem+ao+brasil+em+maio/n1238170105631.html

Estes são os meus...

São seus olhos...

Que elogiam os meus olhos singulares
Comuns a todos,
Comuns a sabedoria popular,
Comuns a tudo que se entende

São seus olhos que vêem a boemia
Vêem o certo incerto
O desconcerto do mundo
A putaria da boa samaritana

Não são os meus que são;
São os teus que não são.
Não são os meus que são de mel,
mas os teus são levemente picantes.

Não queira deslumbra-los,
pois a piada de tua boca,
a pouco espalhou tolices.

Não queira fazê-los de brinquedos,
por que olhos também têm sentimentos,
mesmo que pequenos.

Então, apenas continue teu caminho,
para frente e não olhe para mim,
pois meus olhos são cegos e mudos.

(Monique Ivelise)

Tragédias gregas

Era amor?
Ou era ódio?
Éramos Julieta e Romeu?
Ou fomos Era e Hércules?

Era mente e coração?
Ou somente razão e emoção?

Se faz corte com o desprezo?
Com o silêncio?
O apagar dos olhos,
lança o esquecimento.
Lança o passado que podia ser presente.
Aliás, futuro.

Era amor?
Ou apenas uma comédia romântica.

(Monique Ivelise)

domingo, 13 de março de 2011

A própria semelhança de Deus

Auto-retrato

Sou das ruas.
Uma ladra de sortes.
Uma encantadora de serpentes,
que é mordida pelo desejo falido.

Uma prostituta de almas negadas;
Talvez, uma ambulante,
que vende a maldade de um olhar.
Uma viciada em danças desprezadas.

Uma abnegada, sem registro,
muito menos identidade.

Sou das ruas sujas,
contemporânea e periférica.
Sou do encanto descansado.
Sou o descabido com nome.
Sou?
Se sou, uma proposta:
O desvendamento!
Se sou, uma fantasia.
Se sou, um beijo.
Se sou, uma morte.
Se sou, uma brincadeira.

Mas se não sou,
Não me digas,
pois pra que se importar?
Sei estou há muito de descobrir.
O que resta: as ruas!

(Monique Ivelise)

Delírio comunitário

Por que não admitir?
Por que faz isso?
Não sabes que só tenho
um pequeno coração,
que sonha e desiste.
Faz da escrita a única fuga.
Ou melhor, a principal.

Então, quando me encontrares:
Olha-me, cala-me e beija-me.
Como se fôssemos desconhecidos;
nunca antes vistos.

Por que falar?
Se podemos poetizar?
Ou delirar?

(Monique Ivelise)

sábado, 12 de março de 2011

Era um poeta...


Cartola, no moinho do mundo

Você vai pela rua, distraído ou preocupado, não importa. Vai a determinado lugar para fazer qualquer coisa que está escrita em sua agenda. Nem é preciso que tenha agenda. Você tem um destino qualquer, e a rua é só a passagem entre sua casa e a pessoa que vai procurar. De repente estaca. Estaca e fica ouvindo.

Eu fiz o ninho.
Te ensinei o bom caminho.
Mas quando a mulher não tem brio,
é malhar em ferro frio.

Aí você fica parado, escutando até o fim o som que vem da loja de discos, onde alguém se lembrou de reviver o samba de Cartola; Na Floresta (música de Sílvio Caldas).

Esse Cartola! Desta vez, está desiludido e zangado, mas em geral a atitude dele é de franco romantismo, e tudo se resume num título: Sei Sentir. Cartola sabe sentir com a suavidade dos que amam pela vocação de amar, e se renovam amando. Assim, quando ele nos anuncia: “Tenho um novo amor”, é como se desse a senha pela renovação geral da vida, a germinação de outras flores no eterno jardim. O sol nascerá, com a garantia de Cartola. E com o sol, a incessante primavera.

A delicadeza visceral de Angenor de Oliveira (e não Agenor, como dizem os descuidados) é patente quer na composição, quer na execução. Como bem observou Jota Efegê, seu padrinho de casamento, trata-se de um distinto senhor emoldurado pelo Morro da Mangueira. A imagem do malandro não coincide com a sua. A dura experiência de viver como pedreiro, tipógrafo e lavador de carros, desconhecido e trazendo consigo o dom musical, a centelha, não o afetou, não fez dele um homem ácido e revoltado. A fama chegou até sua porta sem ser procurada. O discreto Cartola recebeu-a com cortesia. Os dois convivem civilizadamente. Ele tem a elegância moral de
Pixinguinha, outro a quem a natureza privilegiou com a sensibilidade criativa, e que também soube ser mestre de delicadeza.

Em Tempos Idos, o Divino Cartola, como o qualificou Lúcio Rangel, faz o histórico poético da evolução do samba, que se processou, aliás, com a sua participação eficiente:

Com a mesma roupagem
que saiu daqui
exibiu-se para a Duquesa de Kent
no Itamaraty.

Pode-se dizer que esta foi também a caminhada de Cartola. Nascido no Catete, sua grande experiência humana se desenvolveu no Morro da Mangueira, mas hoje ele é aceito como valor cultural brasileiro, representativo do que há de melhor e mais autêntico na música popular. Ao gravar o seu samba Quem Me Vê Sorrir (com Carlos Cachaça), o maestro Leopold Stockowski não lhe fez nenhum favor; reconheceu, apenas, o que há de inventividade musical nas camadas mais humildes da nossa população. Coisa que contagiou a ilustre Duquesa.

* * *

Mas então fiquei parado, ouvindo aa filosofia céptica do Mestre Cartola, na voz de Silvio Caldas. Já não me lembrava o compromisso que tinha que cumprir, que compromisso? Na floresta, o homem fizera um ninho de amor, e a mulher não soubera corresponder à sua dedicação. Inutilmente ele a amara e orientara, mulher sem brio não tem jeito não. Cartola devia estar muito ferido para dizer essas coisas tão amargas. Hoje não está. Forma um par feliz com Dona Zica, e às vezes a televisão vai até a casa deles, mostra o casal tranqüilo, Cartola discorrendo com modéstia e sabedoria sobre coisas da vida. “O Mundo é um moinho…” O moleiro não é ele, Angenor, nem eu, nem qualquer um de nós, igualmente moídos no eterno girar da roda, trigo ou milho que se deixa pulverizar. Alguns, como Cartola, são trigo de qualidade especial. Servem de alimento constante. A gente fica sentindo e pensamenteando sempre o gosto dessa comida. O nobre, o simples, não direi o divino, mas humano Cartola, que se apaixonou pelo samba e fez do samba o mensageiro de sua alma delicada. O som calou-se, e “fui à vida”, como ele gosta de dizer, isto é, à obrigação daquele dia. Mas levava uma companhia, uma amizade de espírito, o jeito de Cartola botar lirismo a sua vida, os seus amores, o seu sentimento do mundo, esse moinho, e da poesia, essa iluminação.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 11 de março de 2011

Hora da loucura poética!!

Insegurança

Posso tentar esquecer
as palavras dos outros
Posso sonhar com as perguntas,
em meio de respostas sem fim.

O que faço?
Digo-lhe:
Permaneço fiel,
ao teu sentimento amistoso.

Pois fantasias,
morrem a cada alvorecer.
Não que com ela,
falecer de encantos.
E por fim, continuar ao seu lado

(Monique Ivelise)