segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Veneno

O que espero não é mais que centavos
O que você sente é o maior medo existente.
O que faço é virar as esperas.
Você, saí e pula dos dias.
Se saio é para dançar.
Você, para correr.

Você é a naja, que encanta outros olhos
morde e rasteja.
Sou antídoto do seu medroso veneno.
que lhe sufoca,
lhe prende
lhe afasta.

O que espero não é mais que centavos,

sábado, 15 de novembro de 2014

O meu preto te afasta

Meus pés ainda estão presos
meu corpo ainda se rende
a vontade do seu chicote
mata, guarda, prende e volta
prende, guarda, volta e mata

mata alguns sonhos
que são regidos a maestria dos tambores
sai ao ritmo de quem foge
mas não consegue sair
sai e volta, para encontrar-se com a morte
mesmo assim volta e mata as ilusões
sonha e foge

segue a linha da dança
e chora no asfalto
rasga o cabelo
na pretensão que seu sangue
não mais limpe seu choro
não deixe mais clara sua visão da vida
rasga o cabelo e chora na linha
dança nos espinhos
rasga o seu brilho
ao dar de si a sua carne
atrás da grande casa
rasga a memória
rasgam seu sexo
ainda rasgam seu cabelo

ainda dança em direção aos tambores
para encontrar a sua tonalidade
disfarçada nesses trechos
o sangue já não é visto
assim lhe guardam, lhe prendem e lhe matam.

(Monique Ivelise)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Medos

Dói que se fosse ontem
o peito pulsa
a vontade se despede
a busca de imagem perfeita e serena

bate, e desperta um súbito desejo
de nada que seja previsto
de tudo que foi feito
uma mágica aos seus descontrolados medos

medo de fugir
medo de fingir
medo de ceder
medo de apanhar
medo de ganhar

os seus encantos,
os teus desalinhos
os seus profundos olhares
os teus mersos quietos
mersos mesmo

Dói adiante com a caça perdida
dói uma construção de sua figura
fique e se perda por aí
pois anedotas e dedicatórias não são pra qualquer um.

(Ivelise, Monique)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

I Stand Alone - Robert Glasper Experiment featuring Common & Patrick Stump

Cartão postal

Enquanto durante as noite revela teus segredos
Ao raiar do dia, tapa as palavras
como se fossem pequenos defeitos
que teus legiões nunca poderiam saber,
coisas que o fazem modelo de uma ideologia qualquer.


Em contramão, o meu peito se afasta
dança ao contrário da sua presença
esperando ter a coragem de ir embora.
Ainda fraco, um dia vai
pois não aguenta o teu medo internacional
Vai, querendo ficar
mas ainda vai.

Continuar será o seu destino?
Permanecer, a tua cruz?
Fique, o medo te acompanha.

(Monique Ivelise)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Pertences

Não tenho um dono
e nem espero mais que um copo d'água
não dá mais um sinal
de minha covardia
em verso e prova
de nada que me liga ao resto

passo adiante
na marginal
no mero acaso
não ser nada.


(Monique Ivelise)

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Espera

Ainda espero as mesmas palavras dos finais
algo seja comumente objetivo
não nada que
nada falado
dividido entre outras conversas
ou algo assim.

Apresento-lhe uma maneira
mais fácil de se pensar
o mais nada entre os demais

(Monique Ivelise)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Artigo de promoção

Há coisas que sei
mas não as pronuncio
sob a intenção de não perder
o pouco nada que tenho
e faz um tanto de reações
nos fios de cabelos
Como se fosse um ataque aos dedos
já que não se faz
os seus modelos
como quer comprar
 no mercado mais barato
da sua pequena cidade

(Monique Ivelise)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Vício

A minha fúria tornou-se bebida aos lábios.
Algo que não mais rejeita a minha fome.
Aquele vício de fazer
o que mais dá vontade.
Meu sangue,
minha jugular
meu monte.

Vire-se para esquecer
E deseje as picâncias da minha pele.
Acomode-se como quiser.
Leia a direita.
E lambuze-se disso que você mais sonha.
Faça desfazendo a força sobre.

(Monique Ivelise)


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Um minuto

Às vezes só é necessário
dar continuidade as palavras, 
ditas durante a noite.
Aquelas que sugerem
as mais quentes provocações.

(Monique Ivelise)