quarta-feira, 8 de maio de 2013

Maquinárias

O tanto é uma nota,
que sobra o choro,
sem por quê.
Por que?

Já não era assim,
já se fosse
já era.
Sem erva doce.

Era tanto uma nota,
o que sobra era um choro,
sem demasiado deveras.
Não aceita?

Já foi assim,
já se fosse,
já .
Sem limão.

Uma nota tanta,
que sobrou um choro,
sem quereres.
Não foi?

(Monique Ivelise)

Pele marcada

Em segundos, os olhos são transformados
em manias.
A distância em proximidade,
o silêncio em música.

Tudo feito no balançar de ouvidos,
fazendo expectativas sem par.
À espera de pedidos,
por preços.

Tudo à espera,
naquela praça.
Tudo na caminhada;
tudo no escuro.
Tudo à meia hora.

Não foi Jorge que cumpriu seu papel,
não fui eu que sonhei pétalas
e sim, acabei ao chão.

Hoje, nada espero,
senão todas as esperas.
Espero tudo que está marcado
em tua pele.

(Monique Ivelise)

terça-feira, 7 de maio de 2013

Transas musicais

Ilusões sobre um arrabal,
batida profunda,
ritmo acelerado em dedos salivados.
Boca em tato de voz.

Promessas não serão mais cumpridas,
apenas movimentos cadenciados,
de pernas que masturbam teu verso falho.

Serão sentidos olhares à sua porta.
Enquanto despreza meus sussurros.

Era apenas um par de tango,
Uma incrível forma de nada pensar.

(Monique Ivelise)

domingo, 14 de abril de 2013

Batom reticente

Sob um tom de fala,
se conhece todos os arrepios
de um desvalido amante.

O que é melhor:
viver amarrado em uma vantagem
ou
liberto de medo?

Faça-se um sinal,
um sopro ao pescoço.
Deixaram marcas rubras no tecido
que te cobre.

Deixaram?
em terceira pessoa?

Pois a primeira se faz pela máscara.
A segunda não vive em companhia.
Somente a terceira,
aquela que sempre será o alvo
de seu veneno.

Lhe instigaram,
lhe opuseram,
lhe negaram.

Ainda:
Minhas reticências lhe incomodam?

(Monique Ivelise)

domingo, 7 de abril de 2013

Pedido

Se faça uma dança quebrada,
aos sons de zunidos,
em versace...
em tuas mentiras.
Se faça uma resposta.

(Monique Ivelise)

domingo, 17 de março de 2013

Dedicatória a majestade

Minha tríade esquartejada
Meu terço partido
em  solução aguada,
em forte memórias.

Rescrevendo histórias como se fossem as mesmas.
Consertando as notas,
ao pé da página.
Recontando fatos jamais acontecidos,
senão em passo calmo.

Foram feitas as apostas.
Foram incomodas as vertigens.
Foram usados os batons vermelhos.
Foram colocadas as palavras em um dobrado de papel.

Tudo sob observação mestre.
Daquele que se calou.
Não falou.
Não teimou.
Apenas quis permanecer valvular por outros.
E permitir-se um sorriso em forma de não.

(Monique Ivelise)

Tatuagem

O silêncio já causou rachaduras
O seu ato, a rotina.

Não me peça o murmúrio
Não me faça tatuagens de ar.

Surpreso?
Os loucos se fazem transparentes.

O seus ritmos...
Lourices...

Os meus encantos?
Já se foram.

Me peça uma palavra;
Lhe dou um momento.

Me peça uma loucura:
me avise a tua desgraça.

Não surpreenda,
se hoje me faço em seda.

Brilho sobre tuas conversas,
e mesmo assim, não queres ouvir.

Manda um beijo,
 a febre tatuada na pele.

(Monique Ivelise)

terça-feira, 12 de março de 2013

Gritaria

O mesmo não se pode falar
do escrito mal redigido
dos tortos olhares que não fazem pé
do ensinamento cristão.

fala-se em encantamento, 
sem saber em realidade.
fala-se de desejo,
apenas concretizado 
no real.
fala-se
apenas
fala-se


(Monique Ivelise)

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Confissões particulares

Não me faça como os seus modelos.
Não sou aquelas conforme suas rezas.
Então não me enfeite.
Meus segredos se fazem por partituras.

Meus segredos são compartilhados
na feira de domingo;
ao lados das folhas rasgadas,
como os legumes passados.

Não queira na sua espera,
um espelho de vertigem,
um verso de Vinicius.

Pois na verdade sou mais adepta
de Rubem Fonseca.

(Monique Ivelise)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O canto em verso (Iemanjá)

Oh minha rainha,
as tuas ondas se desfazem em reza.
Odò Janaina!
As vezes Iemanjá!

Teu canto em verso,
são flores em mel;
em águas de ressaca.
Teu louvor,
se fazem sob o verde maduro.

Oh minha mãe,
minhas oferendas não são dadas
em teu mar,
se não olhos e minhas palavras.
Iluminai minhas rotas.

Meus irmãos compartilham
meus paradoxos.
Ogum, Oxossi e Exu partiram,
e de mim, surgiu a história sem letras.
Então, minha mãe sereia,
fazei de minha objetividade
a tua primeira oferenda.

Salve conselheira dos mares,
fazei dessa navegantes
uma produtora de palavras,
como tu.

(Monique Ivelise)