terça-feira, 12 de março de 2013

Gritaria

O mesmo não se pode falar
do escrito mal redigido
dos tortos olhares que não fazem pé
do ensinamento cristão.

fala-se em encantamento, 
sem saber em realidade.
fala-se de desejo,
apenas concretizado 
no real.
fala-se
apenas
fala-se


(Monique Ivelise)

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Confissões particulares

Não me faça como os seus modelos.
Não sou aquelas conforme suas rezas.
Então não me enfeite.
Meus segredos se fazem por partituras.

Meus segredos são compartilhados
na feira de domingo;
ao lados das folhas rasgadas,
como os legumes passados.

Não queira na sua espera,
um espelho de vertigem,
um verso de Vinicius.

Pois na verdade sou mais adepta
de Rubem Fonseca.

(Monique Ivelise)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O canto em verso (Iemanjá)

Oh minha rainha,
as tuas ondas se desfazem em reza.
Odò Janaina!
As vezes Iemanjá!

Teu canto em verso,
são flores em mel;
em águas de ressaca.
Teu louvor,
se fazem sob o verde maduro.

Oh minha mãe,
minhas oferendas não são dadas
em teu mar,
se não olhos e minhas palavras.
Iluminai minhas rotas.

Meus irmãos compartilham
meus paradoxos.
Ogum, Oxossi e Exu partiram,
e de mim, surgiu a história sem letras.
Então, minha mãe sereia,
fazei de minha objetividade
a tua primeira oferenda.

Salve conselheira dos mares,
fazei dessa navegantes
uma produtora de palavras,
como tu.

(Monique Ivelise)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Foi apenas uma provocação

Abusei das palavras proibidas,
sem qualquer intenção medieval.
Cavalgando pelas tormentas,
mediei todo o esperado pela minha condição.

Façam as apostas.
O que os senhores bondosos querem desta humilde empregada?

Não versei a toa,
tudo são provocação.
Tudo são invenções da sua cabeça,
que o fazem melhor, 
pelo menos na sua cabeça;
pelo menos na sua cabeça.

Não acreditas?
Veja com o tempo,
Não vais está tão animado com a novidade.
Já não serão o brilho dos teus olhos, 
senão um pedaço de carne, prestes a  tua voracidade.

Farei o meu papel de suja,
bem qualquer borrão
na trajetória maquiada de minha espécie.
Cantarei a ode postada nos quadrinhos.
E assim, tornarei a personalidade da tua pátria.
Com milhões de exemplares, excitando profetas,
com tu, manterem a mesma órbitas dos acontecimentos.
Continuarem com a mesma ordem poética,
de dez palavras, 
palavras duras, ainda palavras.

Não entende?,
Faça sua aposta.
O que deseja, senão o meu relicário, 
comprado em lojas de conveniências.
A incrível miséria de 1,99.

Então, o farei sem nenhum inconveniente,
a espera da hora do abate.

Então, meu querido,
são apenas provocações.

(Monique Ivelise)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Navidad...

Tempos de recomeços, de continuidades, de palavras doces e também amargas. 


Desejo das mais loucuras poéticas.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Poeminha das 6 da manhã de domingo

Não sonho com profetas.
Não vejo as paredes.
Não contemplo o teu senhor.
Muito menos percorro as tuas romarias.
Não há de fazer os caesares de uma história desacatada.
Não há de fazer novas páginas em função do espírito santificado.

Serão mostrados os discursos dos infiéis,
ao domingo pela tarde.
Farão jornadas até o patamar adorado.
Eis a falsa cerimonial.
Eis a construção secular.

Crede e vê como ele é bom.
Forçai a magnitude de seu ato.
Louvores e glórias ao rei da dança.
Salve os incrédulos.
Salve as ladainhas.
Salve a ignorância.
Salve e amém.

(Monique Ivelise)

domingo, 16 de dezembro de 2012

A figura picaresca

Sem nada.
Nada.
Nada.
Que te faça chorar as lágrimas perdidas.
Voltar ao passado,
ver aquela figura.
Voltar ao destino,
dizer os teus não's.

Sem nada,
nada, 
nada.
Chore pelo hoje.
Faça pelo hoje.
Foda-se.

(Monique Ivelise)